
Santiago – Há poucos dias, o empresário Kamal Karin Atiyeh voltou de uma viagem que fez ao Oriente Médio durante dois meses. Ele esteve na Palestina visitando seus familiares árabes e levou uma de suas filhas, a Dynna. Em um bate-papo com Sandra Siqueira no programa “A Pauta é”, Kamal disse que fazia muitos anos que não viajava para lá, mas que o tempo e a distância não afetam a acolhida que sempre recebe. “Os árabes são muito ligados à família, tal qual são os italianos. E respeitam toda a árvore genealógica”, afirmou. Ele visitou seus avós e viu diversos avanços modernos por lá. Assim como todo o mundo, a Palestina sofreu com os efeitos da pandemia, mas sua economia se recupera. Atualmente, as mulheres conquistaram um espaço mais amplo e Kamal garante que é difícil diferenciar uma americana de uma palestina. “Não existe submissão ao homem. As mulheres são valorizadas, porque são o pilar de uma família”, garante. Kamal disse que na Palestina há inclusive leis semelhantes a Maria da Penha que protegem as mulheres de agressões diversas.



Uma delas, por exemplo, garante o direito ao divórcio caso o marido não a contemple com o mesmo presente que é dado a segunda ou terceira esposa. Sim, por lá a poligamia faz parte da cultura. Embora os mais jovens estejam optando pela vida a sós ou pela monogamia. Ele garante que não é real a ideia de que um homem compra uma esposa. E que o “dote” é uma garantia de que ele tem condições de sustentá-la no casamento, algo que é muito respeitado. Kamal reconhece que o mundo árabe é muito diverso e que, principalmente nos países onde há reinados, o tratamento é outro e segue leis mais antigas.



O que se come
Os grãos e sementes estão muito presentes na culinária árabe, além de pratos como pasta de berinjela, lentilha, legumes diversos e carne de carneiro, que é mais apreciada e a criação desses animais é predominante. Por isso mesmo é que quando chegou ao Brasil, “salivando” por uma ala minuta, Kamal não perdeu tempo e foi logo para um restaurante no aeroporto satisfazer seu desejo.



Como é em casa
Mesmo tendo nascido no Brasil, Kamal segue a cultura de seus familiares e antepassados e procura falar a língua em casa, onde também gosta de cozinhar pratos típicos. Como todo palestino, Kamal acredita em reencarnação, acredita em predestinação e segue tradições muçulmanas, ainda que também tenha o seu lado católico.



Turco não, árabe!
Em Santiago, Kamal é dono da loja Stanford Multimarcas, fundada há 26 anos, sendo filho de uma família de comerciantes. Seu pai era dono da famosa Casa Verde. “Está no sangue árabe, desde o tempo dos fenícios trabalhar com o comércio”, ele diz. Lembra da época em que as lojas de árabes dominavam o centro de Santiago. “Havia umas 12 ou 15 famílias que trabalhavam com confecções”, lembra e ainda brinca: “diziam que roupa de turco encolhia, mas o problema eram as confecções que existiam”, afirma. Sobre a palavra “turco”, ele faz questão de esclarecer: é que muitas décadas atrás os passaportes de quem viajava para o exterior eram emitidos na Turquia. E assim, o apelido pegou pra todos, independentemente do país onde residia.



O Brasil foi o país escolhido por muitos árabes e é tido, segundo o Kamal, como uma mãe acolhedora. “Na verdade, o brasileiro é muito querido em qualquer parte do mundo. Basta dizer que é do Brasil que as pessoas recebem muito bem, seja na Palestina ou em qualquer lugar da Europa”, afirmou. Inclusive, a Seleção Brasileira era muito festejada no Catar. “Só que faltou pra eles foi futebol, mas sobrou em cortes de cabelo estilosos e tatuagem”, brincou.






