
As cerimônias alusivas aos 200 anos da Independência apresentaram os tradicionais desfiles, mas também foram marcadas pela disputa eleitoral.
Os principais eventos vinculados ao 7 de Setembro, a começar pelos festejos oficiais em Brasília, reuniram muitos apoiadores do presidente e candidato Jair Bolsonaro (PL). Houve também manifestações paralelas, como o Grito dos Excluídos. (F: Zero Hora)
“Sabemos que temos pela frente uma luta do bem contra o mal. O mal que perdurou por 14 anos em nosso país, que quase quebrou a nossa pátria e que agora deseja voltar à cena do crime. Não voltarão (…). A vontade do povo se fará presente no próximo dia 2 de outubro”, discursou, se referindo à data do primeiro turno das eleições presidenciais.

No mesmo pronunciamento, sugeriu aos homens solteiros que procurem “princesas” para se casar e serem mais felizes, recomendou aos eleitores que comparassem as primeiras-damas como outro fator para orientar seus votos, e repetiu por cinco vezes, ao microfone, o coro de “imbrochável” que ouviu de apoiadores na plateia.
O presidente voltou a se referir ao STF, um de seus principais alvos ao longo dos últimos anos, mas de forma mais velada:
“Muito feliz em ter ajudado chegar até vocês a verdade. Ter mostrado para vocês que o conhecimento também liberta. Hoje todos sabem quem é o Poder Executivo. Hoje todos sabem o que é a Câmara dos Deputados. Todos sabem o que é o Senado Federal. E também todos sabemos o que é o Supremo Tribunal Federal”, frisou.

Bolsonaro citou fatos históricos, como o golpe militar de 1964 e sua própria eleição, para dizer que a “história pode se repetir”:
“Quero dizer que o brasileiro passou por momentos difíceis, a história nos mostra. 22 (revolta tenentista), 35 (insurreição comunista), 64 (golpe militar), 16 (impeachment de Dilma Rousseff), 18 (eleição do próprio Bolsonaro) e, agora, 22 (eleições atuais). A história pode repetir”.
O presidente atacou o candidato Lula (PT), primeiro colocado nas pesquisas, a quem chamou de “quadrilheiro”, e chegou a defender a supressão da esquerda:
“Esse tipo de gente tem de ser extirpada da vida pública”.
O comando da campanha de Lula informou ainda durante a tarde que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral sob alegação de abuso de poder econômico e político por parte de Bolsonaro.

Grito dos Excluídos
Adversários de Bolsonaro se concentraram em atividades paralelas, como o Grito dos Excluídos, organizado por movimentos sociais, partidos de esquerda e centrais sindicais em diferentes cidades do país. Em Porto Alegre, o ato foi realizado no bairro Partenon, na Zona Leste.
Nessas manifestações, os participantes fizeram protestos contra a miséria, o racismo, e exigiram melhores condições de saúde, educação, trabalho e moradia. Em São Paulo, a mobilização teve críticas ao presidente em pronunciamentos feitos a partir de um caminhão estacionado junto à Catedral da Sé.
O cientista político da UFRGS Paulo Peres analisou o clima de campanha que marcou em grande parte o 7 de Setembro:
“Em outros países, o Dia da Independência é comemorado como uma data cívica, de unificação, para além das questões partidárias, cuja celebração fica sob responsabilidade do Estado e em nome da cidadania. Poderíamos ter tido uma festividade muito maior”, avalia.



