
Michele Beltrão: quatro anos que valeram por oito
Santiago – Sandra Siqueira foi direto ao ponto em “A Pauta é” e perguntou a Michele Noal Beltrão, ex-diretora da URI, o porquê dela não ter feito o mesmo que os seus antecessores (Ayda Bochi, Clóvis Brum e Chico Gorski), de ir à reeleição. Michele disse que seus quatro anos valeram por oito. Afinal, teve de administrar uma das mais importantes instituições numa época de dificuldades no mundo todo.
Momentos dramáticos
Foi durante a pandemia que ela viveu momentos mais dramáticos. Muitos alunos tiveram dificuldade para se manter nos cursos. Com isso, vinha a inadimplência, e menos dinheiro para se manter. As bolsas do FIEs que garantiam um ponto de equilíbrio, foram reduzidas de 300 anuais para 70. Enfim, a URI teve que “cortar na carne, nos temperos, no molho, em tudo” para conter despesas em nome da sobrevivência.
Comida na mesa
“Chegava a perder o sono e ou sonhar com colegas em dificuldade. Foram os piores momentos da minha vida. Pois o salário que a gente paga bota comida na mesa das pessoas”, lembrou. A projeção mais alarmista indicava que a URI poderia perder 30% de seus alunos, mas acabou perdendo cerca de 10%. Atualmente, mantém cerca de 2 mil alunos.

Segue no apoio
Michele diz que vai seguir apoiando e atuando, mas vai poder dar atenção também a projetos pessoais. Falou que está feliz em passar o comando ao professor Júlio César Wincher Soares, engenheiro florestal, que está cheio de vontade, juntamente com a professora Claudete Moreschi.
Confiante na recuperação
Demonstrando muito respeito à professora Michele, o professor Júlio mostra sintonia com ela e está confiante na recuperação da URI, que já está voltando a respirar. Segundo ele, a URI possui cerca de 50% de seus alunos de Santiago e perto disso, de outros municípios. Sobre a diferença no preço das mensalidades em relação a universidades virtuais, ressalta que o ensino presencial é bem mais abrangente; exige a presença do aluno em salas, bibliotecas e laboratórios.
Alta qualidade
“O perfil do aluno de universidades comunitárias como a nossa é o presencial, que é altamente profissionalizante. E ainda assim temos a opção EAD de alta qualidade. Os cursos mais procurados são o de Medicina Veterinária, Agronomia, Direito e Ciências da Computação. “Vamos buscar novas formas de pagamento para os alunos”, considerou, dizendo que não há mágica para reduzir a mensalidade a ponto de tornar equivalente ao de uma universidade EAD.
Facilidades
A URI já oferece formas facilitadas, como o CrediURI e o PraValer e deve buscar outras. Ele considera que a URI é muito relevante para a região e pode também fechar parcerias na prestação de serviços para municípios, contribuindo com o desenvolvimento, sendo que em sua área de abrangência impacta mais de 500 mil pessoas.

Financiamentos e incentivos
O professor Júlio está com boa expectativa em relação aos novos governos, do Estado e Federal, com relação a financiamentos e incentivos. Está otimista em relação a uma proposta do novo governo do RS que vai contemplar alunos de universidades comunitárias com o custeio do curso e mais uma bolsa de R$ 800.



