
Santiago – Nascido numa aldeia indígena em Roraima, perto de Boa Vista, Valdélio Izidório Messias é de origem Macuxi (uma tribo que habita uma região de campos de Roraima). Ele foi entrevistado por Sandra Siqueira no programa A Pauta É e contou um pouco de sua história.
Até os 15 anos, ele viveu essa cultura milenar, tendo a caça e a pesca como algo muito presente em sua rotina. “A gente pescava com a mão. Bastava jogar um timbó na água que os peixes ficavam grogues e podiam ser colhidos facilmente”, lembra.
No entanto, seu olhar mirava muito mais para o horizonte desbravado por outros que tinham ido trabalhar na cidade. Tinha curiosidade de saber e aprender mais, pois o máximo do mundo externo que conhecia era um pouco da cidade de Boa Vista. E aquilo lhe parecia tão grande.
Aos 15 anos, ele partiu para a cidade para cursar o Ensino Médio. A partir daquele momento, passou a ter identidade de homem “branco”, aos olhos de seus familiares. Estudou, se dedicou e, aos 18 anos, se alistou para o Exército. Ali encontrou uma carreira para a vida toda. E descobriu que os horizontes eram muito além da floresta amazônica.
Índios querem ser tratados como iguais
Anos mais tarde, veio morar em Santiago, onde vive com a sua família. Valdélio é casado, pai de três filhos e militar da reserva. Embora tenha saudade de sua aldeia e de seus costumes, ele afirma que não trocaria a vida que tem hoje pela do índio. “As tribos passam por muitas dificuldades, muito desapego e aos olhos das pessoas da cidade seria como uma situação de miséria. Mas os índios querem, sim, uma vida melhor e acima de tudo serem tratados como iguais, como um só povo brasileiro”, afirma. Se engana quem pensa que a vida do índio é só “caçar, pescar e apanhar frutas”, porque eles sofrem muito nos períodos de seca.

Promoção à Igualdade
Em Santiago, Valdélio decidiu integrar o Conselho Municipal de Promoção à Igualdade Étnico Racional (Compier) para representar os indígenas. Indagado por Sandra Siqueira, ele conta que vê com aflição a situação do povos Yanomami, em Roraima, pela precariedade alimentar e de saúde. Eles são um dos maiores povos indígenas do Brasil, mas convivem com os garimpeiros que estão nas ruas regiões.



