A jornalista Glória Maria é negra e veio de família pobre do Rio. Precisou de personalidade para ganhar espaço em uma emissora de TV. Foi a primeira pessoa a evocar a lei Afonso Arinos, em um processo de discriminação racial. Glória está prestes a completar 50 anos de carreira. Ela concedeu uma entrevista ao grupo RBS. Veja alguns trechos:
Rede social e informação
“O mundo de rede social é quase fictício e agora as pessoas estão começando a perceber isso. A rede é terra de ninguém. As pessoas entram para depositar ali suas frustrações e infelicidades. Hoje não se têm mais informação. Há uma enxurrada de coisas sem fonte. A informação real não perdeu valor e não vai perder. Por isso que os jornais e os outros veículos de mídia tradicional estão ganhando importância para quem quer se informar de verdade.”
Intolerância, raiva e desesperança
“O Brasil é um reflexo do que está acontecendo no mundo. Uma síntese. O mundo está assim, tomado por intolerância, raiva e desesperança. Quando você não acredita no outro como um igual a você, é porque você perdeu a esperança. A base da convivência em sociedade é perceber que seu semelhante é igual a você, em todas as diferenças que vocês têm. Quando você esquece isso, esquece o básico.”
Racismo
“Vejo a luta de mulheres, negros e pobres desde sempre, mas não vejo evolução. Não se conquista muita coisa individualmente. Quanto mais gente reunida, mais se é ouvido. Fui pioneira nessa luta contra o racismo por ser uma luta de todos os discriminados.” (em 1976 ela processou um hotel do Rio ao sofrer preconceito).
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