
Um funcionário do açougue (Shopping das Carnes) presenciou a discussão que resultou nas agressões e na morte do vendedor ambulante Wagner de Oliveira Lovato, 40 anos. A testemunha disse à Polícia que ouviu a vítima falar que a carne estava muito cara e que não levaria nada. Para o delegado Edimar Machado, esse pode ter sido o motivo que desencadeou o desentendimento na noite do último sábado (2) em um açougue. Wagner foi agredido por dois homens na calçada e acabou morrendo na noite de domingo devido a gravidade dos ferimentos na cabeça.
A Polícia divulgou os vídeos que mostram Wagner, de camiseta cinza e com sacola verde, entrando no açougue, indo até o balcão e conversando com um dos atendentes. Ele logo sai e, na porta do estabelecimento, é parado pelo gerente do açougue, Luciano Monteiro, que está de colete verde. Naquele dia, Monteiro estava de folga, havia ido participar de uma confraternização e, por ter esquecido uma chave, tinha ido ao açougue com um amigo, Luciano Ribeiro, que nas imagens aparece de roupa listrada.

A gravação mostra que Wagner e o gerente conversam por um tempo na porta. Monteiro diz que parou Wagner para entender porque ele não havia comprado nada e se havia algum problema no atendimento ou na qualidade dos produtos. Em um segundo momento, Wagner, que está segurando uma sacola verde, deixa ela no chão e continua conversando.
Uma terceira pessoa, um funcionário do açougue de camiseta vermelha, aparece na porta tentando apartar a discussão. O diálogo segue até que Ribeiro sai com Wagner do açougue, com a mão em seu ombro e o leva para a calçada da Avenida. Ali, continuam conversando, sob o olhar de Monteiro, que está na porta do açougue, até que este também vai para a calçada e a briga começa com empurrões.
Ribeiro dá o primeiro soco e, no segundo, Wagner se desequilibra e cai de costas na calçada, batendo a cabeça. Monteiro tenta chutar a cabeça do vendedor, mas também se desequilibra e dá um pisão na cabeça de Wagner, já caído. Outras pessoas saem do açougue e tentam socorrer a vítima.
Ribeiro e Monteiro foram presos em flagrante na noite de sábado, são investigados por homicídio, e a polícia avalia se cabe responsabilizá-los com a qualificadora de motivo fútil.
Deixa esposa e três filhos
Wagner foi dono de uma agropecuária por seis anos, mas o negócio faliu na pandemia. Também trabalhou como taxista e, por último, vendia salgados feitos pela esposa. Wagner deixa esposa e três filhos, uma jovem 21 anos e dois meninos, de quatro anos e de dois meses. (F. Zero Hora)



