Contrabando de canetas emagrecedoras dispara na fronteira

Medicamentos proibidos pela Anvisa são vendidos livremente no Paraguai e entram no Brasil sem fiscalização

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Foz do Iguaçu, PR – O contrabando de canetas emagrecedoras vindas do Paraguai virou um negócio lucrativo que desafia a fiscalização nas fronteiras. Em Ciudad del Este, farmácias oferecem livremente medicamentos à base de tirzepatida, que não têm autorização para venda no Brasil. Com preços muito abaixo dos praticados no mercado nacional, o produto atrai brasileiros em busca de emagrecimento rápido, mesmo ignorando os riscos graves para a saúde e a ilegalidade da transação.

A estratégia dos contrabandistas

O esquema é simples e agressivo. Algumas lojas chegam a oferecer brindes e promoções para quem leva mais unidades, enquanto funcionários orientam os compradores sobre como esconder os itens no corpo, em solas de calçados ou peças íntimas, para passar pela fronteira. As apreensões saltaram de cerca de 7 mil unidades no ano passado para mais de 71 mil em 2026, um aumento de mais de 860%. O maior temor das autoridades agora é a entrada da retatrutida, um fármaco ainda experimental que começa a aparecer com frequência nas cargas apreendidas pela polícia.

Riscos graves para a saúde

Especialistas alertam que o uso desses produtos é uma roleta-russa. Como não passam pelo controle da Anvisa, não há garantia de procedência ou qualidade da substância. Além disso, o transporte é feito de forma totalmente inadequada: enquanto o medicamento exige refrigeração rigorosa, ele acaba sendo carregado em fundos falsos de veículos, pneus ou colado ao corpo, onde o calor estraga a fórmula. A Eli Lilly, fabricante do medicamento original, reforça que os produtos paraguaios não são equivalentes aos genéricos e que sua comercialização no Brasil é ilegal.

A falha na barreira de proteção

O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras admite que o efetivo para fiscalizar a entrada de pedestres e veículos é insuficiente. Com a mercadoria sendo fracionada em ampolas pequenas, o trabalho dos fiscais se torna quase impossível frente ao grande fluxo de pessoas. Enquanto o lucro fácil move o contrabando, o sistema de saúde brasileiro se preocupa com a conta que vai chegar depois, quando pacientes aparecerem com complicações causadas pelo uso dessas substâncias sem qualquer supervisão médica.

Fonte: Folha de S.Paulo.

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