Mulher que atirou 12 vezes no ex foi absolvida por legítima defesa

Relembre esse fato histórico de violência, perseguição e pedidos de proteção sem resposta

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Florianópolis – SC – Ana Raquel Santos da Trindade conheceu Renato Patrick Machado de Menezes em 2013. Ele a convidou para trabalhar como massoterapeuta em um spa de Curitiba, mas, ao chegar ao local, ela descobriu que o estabelecimento funcionava como casa de prostituição.

O começo da violência
Conforme o relato de Ana no processo, Renato a dopou, trancou-a num quarto e praticou violência sexual contra ela. Depois, passou a obrigá-la a se submeter a outros homens. Ana contou que ficou acorrentada e passou dias sem comer. As ameaças contra o filho dela, que estava com 4 anos, e outros familiares eram usadas para impedir sua saída. Depois de cerca de seis meses, ela conseguiu fugir e voltou para Florianópolis.

As denúncias
Durante um ano e meio, Ana denunciou perseguições, ameaças e novas invasões. Ela registrou 20 ocorrências. Somente na delegacia especializada foram 15: oito relacionadas a estupr0, três a tentativas de homicídio e quatro a ameaças de mort3. Ana também pediu uma medida protetiva, mas a Justiça negou a solicitação. Com medo, instalou grades, cerca elétrica e reforçou a segurança da casa. Mesmo assim, Renato continuava aparecendo, segundo ela.

Os disparos
Cerca de dez dias antes do crime, após outra invasão, Ana comprou um revólver calibre 32. Em 16 de novembro de 2014, ela ouviu alguém forçando o portão de sua casa. Segundo a versão apresentada no processo, Renato entrou na propriedade e voltou a ameaçá-la. Ana correu ao quarto, pegou a arma escondida sob o colchão e disparou 12 vezes. Nove tiros o atingiram. Ele foi socorrido, mas não resistiu cerca de duas semanas depois. Ana foi presa e permaneceu 24 dias no Presídio Feminino de Florianópolis.

O julgamento
O júri ocorreu em 2016, dois anos depois do crime. Sete testemunhas confirmaram pontos da história apresentada por Ana. O promotor Andrey Cunha Amorim também entendeu que ela agiu em legítima defesa e afirmou que o Estado falhou ao não protegê-la. Os jurados absolveram Ana por unanimidade. Ao ser questionada sobre os disparos, ela disse que se sentia aliviada e que preferia viver na cadeia a voltar a sofrer a violência relatada. A decisão não ignorou os tiros, mas considerou todo o contexto de perseguição, ameaças e pedidos de ajuda anteriores.

(Redação, João Lemes. Fonte: UOL)

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