Sobre o coronel Giovani Pasini: revisão ortográfica não é um crime

O julgamento prévio seria descabido, especialmente para quem acompanha a história pessoal, docente, cultural e profissional do Pasini - em Santiago e Santa Maria.

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(João Lemes) As notícias do indiciamento do ex-presidente Bolsonaro, com mais 36 pessoas, trouxe o suposto envolvimento do coronel santiaguense Giovani Pasini, fundador da Casa do Poeta de Santiago. As acusações no relatório da Polícia Federal dão conta de que ele fez a revisão ortográfica (a pedido de colegas) da carta de oficiais superiores ao comandante do Exército.

Como muitos sabem, Pasini é um conceituado professor de Língua Portuguesa e revisor ortográfico há mais de 20 anos. Atuou em revisões para diversas entidades e pessoas, como a Editora Labirintos, de Santa Maria, entre outras. Pasini fez doutorado em Educação na UFSM e por causa disso faz a análise de textos de incontáveis pesquisadores.

Ao que se sabe, devido às investigações pelo próprio Exército e Polícia Federal, o Pasini não foi um dos oficiais signatários da carta (não assinou nada) nem manifestou a sua opinião publicamente sobre o assunto. Se não assinou, não atestou o que estava escrito. Eis a maior prova que deve ser levada em consideração.

Aliás, seguidamente, colegas, alunos e outros profissionais solicitam o seu apoio técnico em questões de Língua Portuguesa. Diversos periódicos já fizeram isso, inclusive o nosso NP Expresso. O Pasini tem variados títulos e honrarias que o habilitam a ser uma referência no assunto: professor, doutor, membro da Casa do Poeta de Santa Maria, da Academia Santa-Mariense de Letras, da Academia de Letras da Região Central do RS, entre outras.

Dentro da ideia democrática de presunção de inocência, surge a pergunta: fazer a revisão técnica de um documento, não atestando com o seu CPF logo abaixo, é algum tipo de crime? Se for, prenda-se todos os professores de português e revisores ortográficos que, naturalmente, analisam questões puramente estilísticas e gramaticais.

O julgamento prévio seria descabido, especialmente para quem acompanha a história pessoal, docente, cultural e profissional do Pasini – em Santiago e Santa Maria.

Veja outros detalhes do julgamento AQUI.

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