Suplemento para controle de peso canino chega ao mercado em setembro

O produto ganhou o apelido de “Mounjaro para cães”, mas não contém tirzepatida nem substitui dieta, exercícios e acompanhamento veterinário

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Nacional – Mais de 40 mil donos de cães entraram na lista de interessados em um novo suplemento para controle de peso de cães. Fabricado pela Wigow, o produto será vendido no Brasil a partir de setembro e custará 123,45 por mês no plano de assinatura.

O que é o produto
O suplemento tem formato de coração e imita um petisco. Cada tablete pesa 12 gramas, fornece 32,8 calorias e reúne L-carnitina, proteína de salmão, fibras e vitaminas. A recomendação informada para cães de até 10 quilos é de uma unidade por dia. Para animais maiores, a quantidade varia conforme o peso.

A fabricante afirma que a fórmula foi desenvolvida por veterinários e aprovada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Por ser classificado como suplemento alimentar, o produto será vendido sem receita. A empresa recomenda, mesmo assim, que o uso faça parte de um programa acompanhado por um veterinário.

A diferença para o Mounjaro
O apelido usado nas redes sociais pode provocar confusão. O Mounjaro é um medicamento injetável à base de tirzepatida. A substância age nos receptores GIP e GLP-1, ligados ao controle da glicose, do apetite e do consumo de alimentos. FDA

O tablete para cães não contém tirzepatida nem age da mesma forma. Trata-se de um suplemento nutricional com fibras, proteína e L-carnitina. A própria Wigow afirma que o produto não é um medicamento e não deve ser tratado como uma versão veterinária das canetas usadas por humanos.

O papel dos ingredientes
As fibras aumentam o volume do alimento no estômago e podem prolongar a sensação de saciedade. Estudos com dietas ricas em fibras indicam redução no consumo de calorias e na gordura corporal de cães acima do peso. PubMed

A L-carnitina participa do transporte da gordura usada pelas células para produzir energia. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam, porém, que ela não provoca emagrecimento sozinha. O cão precisa gastar mais calorias do que consome para perder peso.

A proteína de salmão ajuda a preservar a massa muscular durante o emagrecimento. Como não é uma das proteínas mais comuns na alimentação canina, também pode reduzir o risco de reação em animais sensíveis. Cães com alergia ao ingrediente, entretanto, não devem consumir o suplemento.

A consulta vem primeiro
Antes de iniciar qualquer programa de emagrecimento, o veterinário precisa avaliar a condição corporal, a massa muscular e o estado geral do cão. O excesso de peso pode estar ligado à alimentação inadequada, mas também pode acompanhar diabetes, hipotireoidismo e outros problemas.

A consulta também permite identificar complicações causadas ou agravadas pela obesidade. Entre elas estão dores nas articulações, pressão alta, alterações nas gorduras do sangue e sobrecarga cardíaca. Um cão com diabetes, por exemplo, pode precisar de ajustes na alimentação e nas doses de insulina.

Os exercícios também exigem atenção. Animais obesos podem apresentar osteoartrite, dificuldade respiratória ou problemas cardíacos. Nesses casos, caminhadas e outras atividades precisam começar de forma leve e avançar conforme a resposta do cão.

A dieta continua sendo a base
O tratamento mais usado para cães acima do peso é uma dieta com menos calorias, mais fibras e proteína de qualidade. Esses alimentos permitem controlar a energia consumida sem retirar nutrientes importantes para a saúde e a preservação dos músculos.

Diminuir apenas a quantidade da ração comum pode reduzir o peso, mas também corta vitaminas, aminoácidos e outros nutrientes. O animal pode perder massa muscular, sentir mais fome e pedir comida com maior frequência.

Diretrizes veterinárias indicam que o emagrecimento depende da combinação de controle das calorias, escolha correta da dieta, atividade física e mudança nos hábitos do animal e do tutor. AAHA/PubMed

A falta de um estudo com a fórmula pronta
A Wigow apresentou pesquisas feitas com ingredientes usados na composição. Há estudos sobre L-carnitina, fibras e dietas com mais proteína, mas eles não testaram o tablete que chegará ao mercado brasileiro.

Segundo os especialistas, ainda falta um ensaio clínico que compare cães submetidos ao mesmo programa de emagrecimento, separando um grupo que recebe o suplemento e outro que não recebe. Sem esse estudo, não é possível afirmar qual benefício adicional o produto oferece.

Pesquisas já mostram que dietas com restrição de calorias, mais fibras e proteína podem ajudar na perda de gordura e na preservação da massa muscular. Esses resultados, porém, não comprovam automaticamente a eficácia de uma nova fórmula. PubMed

Como funciona o programa de emagrecimento
O tratamento começa com a definição de uma meta inicial e do peso considerado adequado para o cão. Depois, o veterinário calcula a quantidade diária de calorias e escolhe a alimentação mais indicada.

A ração deve ser pesada em uma balança de cozinha. Copos, potes e medidas feitas a olho podem aumentar a quantidade oferecida. Dividir a porção diária em três a cinco refeições também pode ajudar no controle da fome.

O peso deve ser acompanhado semanalmente ou a cada 15 dias. Em condições controladas, cães podem perder entre 1% e 2% do peso por semana. Na rotina doméstica, o ritmo costuma ser menor e o tratamento pode durar vários meses. Universidade Cornell

O cuidado com os petiscos
Os agrados devem representar no máximo 10% das calorias diárias calculadas para o cão. Um único biscoito canino pode fornecer cerca de 90 calorias. Uma salsicha pode chegar a 140.

O novo tablete fornece 32,8 calorias, menos que muitos petiscos comuns. Mesmo assim, seu valor precisa entrar na conta diária. Oferecer o suplemento sem descontar essas calorias da alimentação pode atrapalhar o emagrecimento.

Alimentos como chuchu e abobrinha cozidos podem oferecer maior volume com poucas calorias, mas qualquer mudança deve respeitar as necessidades do animal. Temperos, molhos e alimentos impróprios para cães devem ficar fora da dieta.

O que dizem os especialistas
Os veterinários avaliam que o suplemento pode servir como complemento, principalmente por oferecer fibras, proteína e poucas calorias. Ele não é considerado indispensável, pois uma dieta bem calculada e a atividade física costumam ser suficientes para a maioria dos cães.

A principal recomendação é não procurar uma solução rápida. O emagrecimento precisa preservar músculos, reduzir riscos de doenças e melhorar a qualidade de vida do animal. O suplemento pode integrar esse processo, mas não ocupa o lugar da consulta, da dieta e dos exercícios.

(Redação, João Lemes. Fonte: Leonardo Martins/GZH. Informações: Wigow, CRMV-RS e estudos veterinários)

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