Santiago – RS – O delegado Edson Reis fez um alerta: 75% das ocorrências são de estelionato. Entre os principais crimes estão o golpe do falso advogado, clonagem de telefone, uso de dados vazados e fraudes com promessas de dinheiro. Os criminosos usam informações reais para enganar e convencer a vítima a pagar valores. Ele foi convidado pela OAB de Santiago para uma palestra sobre o tema.
Migração dos crimes
O delegado destacou que houve mudança no tipo de crime. Golpes antigos, como o dos nudes, perderam força. Em vez disso, os criminosos migraram para fraudes digitais mais elaboradas. O motivo é simples: o estelionato tem pena menor e facilita a ação.


Golpes mais comuns
O golpe do falso advogado é o mais forte no momento. Os criminosos usam nome, foto e até dados reais de processos para enganar. A vítima acredita que ganhou uma ação e acaba fazendo depósitos. Também são frequentes golpes com clonagem de WhatsApp e uso de documentos para abrir contas e linhas telefônicas.



Dificuldade na investigação
O delegado disse que investigar sempre é um desafio. Linhas telefônicas são descartáveis e registradas em nome de terceiros. Há dificuldade no acesso rápido a dados junto às operadoras. Mesmo assim, a polícia conta com setores especializados em crimes cibernéticos e vem avançando.
Como os golpistas agem
Os criminosos trabalham com coleta de dados. Eles buscam informações em processos, sites públicos e até redes sociais. Com isso, conseguem montar perfis falsos muito parecidos com os verdadeiros. Em muitos casos, enviam documentos reais para ganhar confiança da vítima.
Uso de identidade de advogados
Um dos pontos que mais preocupa é o uso indevido de nome e imagem de advogados. Os golpistas pegam fotos na internet e criam perfis falsos. A partir daí, entram em contato com clientes e pedem dinheiro. Tudo parece verdadeiro, o que aumenta o número de vítimas.
Processos perdidos
Golpistas entram em contato com pessoas que até perderam os processos e estes já foram extintos; e dizem que elas ganharam a causa. Depois, pedem depósito com a promessa de liberar um valor maior. Muita gente ainda acaba caindo no golpe.
Linhas descartáveis
Outro problema citado é o uso de linhas telefônicas descartáveis. Os números são usados por poucos dias e depois somem. Isso dificulta o rastreamento. A polícia vem organizando esses dados para cruzar informações entre casos.
Dificuldade com operadoras
Edson Reis também criticou a dificuldade no acesso a dados das empresas de telefonia. Mesmo com autorização legal, o retorno é lento. Quando a resposta chega, muitas linhas já nem existem mais. Isso atrasa o andamento das investigações.
Uso de documentos de terceiros
Quase todas as linhas usadas nos golpes estão em nome de outras pessoas. Muitas vezes são vítimas que perderam documentos. Em outros casos, os próprios criminosos conseguem cópias de identidade e CPF. Com isso, abrem contas e criam novas linhas.
Golpes com WhatsApp
O delegado alertou ainda para o uso do WhatsApp nos crimes. Nem sempre quem usa o número é o dono da linha. Um chip pode ser descartado, mas o aplicativo continua ativo. Em alguns casos, até conversas antigas são acessadas por terceiros, aumentando o risco de novos golpes.
Alerta para a população
A vice-presidente da OAB, Adriane Damian, reforçou o cuidado, principalmente neste período de Imposto de Renda. Segundo ela, golpistas oferecem falsas vantagens e pedem depósitos. A orientação é clara: não faça nenhum pagamento sem confirmar direto com o seu advogado ou pelos contatos oficiais do processo.
Letramento digital
O delegado Edson Reis reforçou que o principal cuidado hoje é o comportamento no mundo digital. Segundo ele, não dá para acreditar em tudo que chega por mensagem, e-mail ou rede social. A orientação é ter olhar crítico sempre. Desconfiar virou regra básica para não cair em golpe. (Redação, João Lemes)
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