Desde 2022, o instituto teria recebido cerca de 340 milhões em verbas públicas.
Jaguari – RS – (Região de Santiago) – Áudios e vídeos divulgados neste fim de semana revelam a vida de luxo de Humberto Silva. Ele é o presidente do instituto Irdesi e é suspeito de desviar dinheiro público da saúde. Enquanto hospitais administrados pela organização enfrentavam falta de estrutura e remédios, Humberto e a esposa apareceram em viagens a Paris e compras de itens caros. A Federal prendeu o sujeito em novembro durante uma operação que investiga o sumiço de verbas no RS e em São Paulo.
As imagens reunidas pela investigação mostram Humberto e a esposa, Maíne Baccin, em viagens internacionais, noivado com espumante em frente à Torre Eiffel, em Paris, cruzeiros temáticos sertanejos e estadias em apartamentos à beira-mar. Segundo a PF, as despesas teriam sido pagas com o cartão de crédito do instituto. A investigação aponta ainda que o Irdesi pagaria salários de até R$ 23 mil mensais para Maíne e para a ex-mulher de Humberto, Tássia Nunes, mesmo sem que ambas exercessem atividades.
A vida de rico com dinheiro público
Nas gravações obtidas pela investigação, o empresário reclama dos gastos da mulher, mas confirma a ostentação. Ele diz que, em apenas um ano, pagou duas viagens internacionais e que uma bolsa custou 30 mil reais. O delegado do caso afirmou que Humberto gastava como se o recurso fosse privado e não demonstrava medo da justiça. Desde 2022, o instituto teria recebido cerca de 340 milhões em verbas públicas.
As empresas de fachada e laranjas
A reportagem do Fantástico localizou uma construtora em Porto Alegre registrada no nome de uma cozinheira que trabalhava para o grupo. O endereço oficial da empresa era apenas uma casa simples num beco. Essa firma deveria fazer manutenção em postos de saúde, mas a suspeita é que os serviços nunca foram feitos e serviam apenas para desviar o dinheiro. A dona da empresa se recusou a dar explicações.
Áudios obtidos pela Polícia Federal demonstram a vida que o casal levava, supostamente usando o dinheiro desviado. Em um deles, Humberto reclama dos custos do casamento e menciona a compra de uma bolsa:
— Daí me diz: “Tu tem que trabalhar menos”. Mas como, se tu vai lá e compra uma bolsa de R$ 30 mil?
Em outra gravação, fala em carros e gastos com viagens:
— Na arrancada (do casamento), em seis meses, me levou dois carros zero. Em um ano, duas viagens. Uma viagem custou mais dois carros zero.
Ele também ironiza os gastos com acessórios:
— Só de óculos ela (a esposa) me gastou 20 conto, só de óculos. Eu não sei em quantas cabeças ela vai colocar esses óculos. Acho que tá levando pra vender.
Segundo o delegado da Polícia Federal Anderson de Andrade Lima, o material reunido mostra que o empresário não demonstrava receio de ser responsabilizado.
— A impressão que dá, à medida que a gente analisava as provas, é de que ele realmente não tinha nenhum temor de que fosse alcançado pela Justiça, de que poderia gastar, de que o dinheiro era privado e que ele administrava da forma que quisesse, inclusive com bens particulares — afirma o delegado Lima.
Para justificar a saída dos recursos, o Irdesi declarava gastos com serviços que, segundo a Polícia Federal, nunca foram executados. Uma das empresas investigadas é a Valquíria Serviços, que receberia R$ 260 mil por mês para realizar obras de manutenção no hospital de Embu das Artes, em São Paulo.
A reportagem também localizou uma ex-funcionária da limpeza do hospital, que disse ter recebido ordens para economizar até desinfetante. Uma ex-enfermeira, que prefere não se identificar, lamentou a situação da unidade e as suspeitas de desvio:
— Era um dinheiro que tinha sido investido para a saúde, que foi roubado.
O drama no hospital de Jaguari

Enquanto o dinheiro era gasto com luxo, a situação no Hospital de Caridade de Jaguari era crítica. Faltavam materiais básicos e até desinfetante. O pai de uma comerciante morreu durante uma crise de asma porque não havia um equipamento simples que custa 70 reais na farmácia. O prefeito Igor Tambara nomeou um interventor (veja aqui) para tentar organizar as contas e garantir o atendimento à população e diz que a investigação não tem nada a ver com a prefeitura, nem com o contrato com o IRDESI. VEJA MAIS AQUI
O bloqueio dos bens e as defesas
A justiça determinou o bloqueio de 24 milhões em bens, incluindo 14 imóveis e 53 carros. A defesa de Humberto não quis se manifestar. Já os advogados da esposa e da ex-mulher dele disseram que o processo corre em segredo de justiça e pediram respeito à presunção de inocência. A Federal estima que o prejuízo aos cofres públicos chegue a pelo menos 25 milhões. (GZH)
Acompanhe o NP pelas redes sociais:
- Tiktok: @np.expresso
- Comunidade no WhatsApp: Clique Aqui
- Instagram: npexpresso
- Facebook: NPExpresso


