Nacional – A cotação passou de 4,9931 no último pregão antes do segundo turno para 5,4029 em 26 de outubro, uma diferença de quase 41 centavos. A disparada ocorreu na primeira sessão após a reeleição de Lula e refletiu, segundo especialistas ouvidos pela GZH, a surpresa de investidores que esperavam uma vitória de Flávio Bolsonaro.
O movimento foi contrário ao registrado após o primeiro turno. Em 5 de outubro, quando o candidato do PL havia terminado à frente, o dólar caiu 4,12%, para 5,0018. Já na abertura de 27 de outubro, a moeda recuou para 5,37, devolvendo parte da alta anterior.
O que provocou a disparada
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, parte do mercado passou a considerar riscos maiores de expansão dos gastos públicos, intervenção estatal e dificuldades no controle da inflação. Essa mudança de expectativa levou investidores a rever o preço dos investimentos, com alta do dólar e dos juros futuros e queda da Bolsa.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, acrescenta que a incerteza sobre a equipe econômica e as futuras diretorias do Banco Central intensificou a reação. Segundo ele, anúncios do governo sobre os nomes escolhidos e o controle das contas públicas poderão aliviar ou ampliar a desconfiança.
O que pode acontecer
Os especialistas consultados pela reportagem avaliam que o movimento inicial representa uma revisão de expectativas, sem indicar, por si só, uma crise estrutural. A continuidade da pressão dependerá das decisões do governo reeleito e de como elas serão comunicadas. A abertura em queda no dia 27 mostra uma redução parcial da cotação, mas não permite afirmar que a alta foi superada.
(Redação, João Lemes. Fonte: GZH — Arethusa Dias)
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