Washington – EUA – A medida faz parte de uma série de sanções impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil. Com a decisão, os dois grupos criminosos brasileiros entram para uma lista que reúne quase cem organizações, entre elas o Estado Islâmico e a Al Qaeda, mudando a forma como o país norte-americano encara o crime organizado em solo brasileiro.
Os impactos na cooperação policial
A classificação traz incertezas sobre o trabalho conjunto entre a Polícia Federal e o FBI, que colaboram há décadas no combate ao narcotráfico. Especialistas avaliam que, ao colocar as facções no mesmo patamar de terroristas, os Estados Unidos passam a ver o crime brasileiro como uma ameaça direta à sua segurança nacional. Isso pode criar um clima de desconfiança e dificultar parcerias, já que o Brasil pode sentir que está sendo colocado em uma posição de subordinação frente às autoridades americanas.
Os riscos para bancos e cidadãos
O efeito mais preocupante da medida está no bolso das instituições financeiras e das empresas brasileiras. Como as leis americanas são rigorosas com o financiamento ao terrorismo, bancos que operem com valores ligados — mesmo que sem querer — a essas facções podem sofrer sanções pesadas. Além disso, existe o temor de que a decisão afete a emissão de vistos e a vida de imigrantes brasileiros nos EUA. A presença de grupos classificados como terroristas no Brasil pode ser usada como argumento para deportações mais frequentes ou barreiras mais rígidas nas fronteiras.
A política por trás da lista
A manobra é vista por analistas como um gesto político forte, embora carregado de contradições. Enquanto Trump recebeu o presidente Lula em clima ameno recentemente, o governo americano agora impõe sanções que parecem atender a pedidos de aliados da oposição brasileira. Para especialistas, a classificação não é apenas uma questão de segurança, mas um jogo de xadrez diplomático que mostra como as relações entre os dois países estão cada vez mais instáveis e dependentes dos ventos políticos em Washington.

Flávio e Eduardo Bolsonaro em visita a Trump em 27 de maio: Flávio disse ter pedido nova classificação de PCC e CV.
Redação, João Lemes; Fonte: Caue Fonseca / GZH ⚖️
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