Gravações inéditas obtidas pela Polícia Federal revelam os bastidores da tentativa de golpe

A reportagem do Fantástico trouxe áudios inéditos: Vejam os detalhes

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Os áudios, extraídos de 1,2 mil celulares apreendidos, mostram o envolvimento de membros do alto escalão militar, civis e aliados do governo em um plano para instaurar uma ditadura no Brasil, mantendo Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições de 2022. As mensagens, divulgadas pelo programa “Fantástico”, incluem orientações de militares para manifestantes acampados e pedidos de intervenção direta do ex-presidente para dificultar ações da Polícia Federal contra os golpistas.

YouTube video

Alto Comando das Forças Armadas, agronegócio e os caminhoneiros

Em uma das gravações, o tenente-coronel Mauro Cid confirma que Bolsonaro editou uma minuta de decreto relacionada ao golpe, mas recuou devido à falta de apoio unânime do Alto Comando das Forças Armadas. Outros áudios revelam tentativas de pressionar os comandantes militares a aderirem ao plano e a mobilização de setores estratégicos, como o agronegócio e os caminhoneiros, para manter os protestos. Além disso, interlocutores próximos ao ex-presidente demonstraram preocupações com possíveis prisões, caso o golpe não fosse concretizado.

Bolsonaro e 39 outros envolvidos

A Procuradoria-Geral da República denunciou Bolsonaro e 39 outros envolvidos pelos crimes de formação de organização criminosa, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. As evidências, reunidas em um relatório de 884 páginas, incluem 255 milhões de mensagens de áudio e vídeo analisadas. A denúncia reforça o papel central de Bolsonaro na articulação do golpe e amplia as investigações sobre aliados próximos e membros das Forças Armadas que participaram do esquema.

“A gente não sai das quatro linhas. Vai ter uma hora que a gente vai ter que sair. Ou então eles vão continuar dominando a gente”. 

As conversas revelam também que, quando os militares se viam limitados em suas atribuições, buscavam contornar obstáculos através do acionamento direto de Bolsonaro. Em um áudio, Almeida orienta os manifestantes acampados a se deslocarem para outro foco de protesto.

“Eu acho que o pessoal poderá fazer essa descida. E ir atravancando mesmo. Porque a massa humana chegando lá, não tem PM que segure. Vai atropelar a grade e vai invadir. Depois não tira mais”.

E completa:

“Não adianta protestar na frente do QG do Exército, tem que ir para o Congresso. E as Forças Armadas vão agir por iniciativa de algum poder”. 

Outro conjunto de mensagens evidencia tentativas de intervenção para proteger os acampados e manter a estratégia golpista, utilizando-os como massa de manobra. O general Mario Fernandes, (foto) atualmente preso, teria solicitado a colaboração de militares próximos ao ex-presidente. Em sua gravação, ele diz:

“Parece que existe um mandado do TSE ou do Supremo, em relação aos caminhões que estão lá. Já andou havendo prisão realizada ali, pela Polícia Federal. Se o presidente pudesse dar um input ali para o Ministério da Justiça, para segurar a PF. Eu estou tentando agir diretamente junto às Forças, mas pô, se tu pudesse pedir para o presidente ou para o gabinete do presidente atuar. Pô, a gente tem procurado orientar tanto o pessoal do agro, como os caminhoneiros que estão lá em frente ao QG”. 

E reforça: 

“Se o senhor puder intervir junto ao presidente, falar com o ministro Anderson. Segurar a PF, para esse cumprimento de ordem. Ou com o Comandante do Exército, para a gente segurar, proteger esses caras ali”. 

Em um dos áudios enviado a um militar, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que firmou acordo de delação premiada com a PF, confirma que o ex-presidente editou a minuta de um decreto que instauraria um golpe de Estado no Brasil. 

“Ele entende as consequência do que pode acontecer. Hoje ele mexeu naquele decreto, ele reduziu bastante, fez algo mais direto, objetivo e curto. E limitado, né?”. 

Outras gravações mostram a pressão para que os comandantes das Forças Armadas aderissem ao golpe. Em uma das mensagens, um interlocutor não identificado dirigiu-se a Almeida da seguinte maneira: 

“O povo tá nas ruas, pedindo pra que haja uma outra eleição, de forma que possa ser cobrado de uma forma mais clara. Só quem tem quatro estrelas no ombro não tá vendo isso?”.

Pouco depois, outra voz questiona:

“Tá com medo de ficar pra história, de dizer que fomentou um golpe? É a hora da gente, cara”.

Ainda no mesmo contexto, o coronel George Hobert Oliveira Lisboa – então assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência – destacou as divisões internas no alto comando:

“Agora tá ficando muito claro que o Alto Comando do Exército tá se fechando em copas, talvez com uma maioria contra a decisão do presidente. Mas pensando em primeiro lugar na instituição, no próprio Exército, quando deveria estar pensando em primeiro lugar no Brasil. Eu sei o quanto o senhor está comprometido com essas ações, o risco que todos nós estamos correndo participando dessa frente.”

O tenente-coronel Sérgio Cavaliere, por sua vez, afirmou em outra gravação obtida pela PF: 

“Acabei de falar com o Cid, cara. Ele falou que não vai ter nada. Tá pronto, só que ele não vai assinar porque o Alto Comando está rachado e não quer encampar a ideia. Então, é isso aí, tio. Deu ruim, tá? Acabei de falar com o nosso amigo lá, ele falou que não vai rolar nada. O Alto Comando não vai topar. A Marinha topa, mas só se tiver outra Força com ela, porque ela não aguenta a porrada que vai tomar sozinha”. 

Já o coronel Bernardo Corrêa Netto revelou em um áudio que Bolsonaro estava com medo de ser preso: 

“Presidente só faria (o decreto do golpe) se tivesse apoio das Forças Armadas, porque ele tá com medo de ser preso. Falei com ele agora de manhã”. 

Ouça os áudios na reportagem abaixo: 

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