Desvio milionário na saúde pagou viagens e carrões

A Federal descobriu que a verba pública bancava a vida de rico

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Jaguari – RS – O delegado Anderson Lima abriu o jogo sobre a Operação Paralelo Cinco, que estourou nesta terça-feira (25). Segundo a Federal, a malandragem desviou mais de 340 milhões da saúde em várias cidades. Em vez de remediar a população, o dinheiro servia para bancar a boa vida dos envolvidos, pagando viagens internacionais de primeira classe, carros de luxo e ingressos para eventos caros.

Empresas fantasmas
Lima explicou que o grupo limpava as contas dos convênios que deveriam ser usados exclusivamente na saúde pública. Eles criaram um sistema com empresas de fachada, sem estrutura nenhuma, apenas para repassar a grana para os sócios. Com o bolso cheio, a turma torrava o recurso em itens pessoais e até barco, enquanto usavam notas frias para justificar os gastos que não tinham nada a ver com os contratos.

A batida na região
A operação cumpriu 24 mandados e prendeu dois sujeitos, além de bloquear bens que chegam a 22,5 milhões. Em Jaguari, a Justiça determinou intervenção no hospital, mas a prefeitura avisou que vai nomear um responsável para que o atendimento não pare, ressaltando que o alvo é a empresa terceirizada e não o município. Em Santiago, a Federal também bateu na porta de um endereço ligado ao caso, buscando provas dessa roubalheira.

A prisão em Cuiabá
A Polícia Federal prendeu Humberto Silva Bacin por volta das 5h20 no Hotel D’Luca, em Cuiabá, MT. Ele estava dormindo quando os agentes entraram para cumprir o mandado. Depois da abordagem, foi levado para exame, em seguida, encaminhado ao presídio.

O celular que pode destravar o esquema
Durante a busca no quarto, os policiais acharam um iPhone 16 Pro Max branco ao lado da cama. Quando a Polícia Federal pediu a senha para perícia, Humberto se negou a informar. O aparelho foi apreendido e lacrado e agora será analisado por peritos. Especialistas lembram que a criptografia da Apple dificulta muito a quebra sem a senha, o que pode travar parte da investigação sobre o desvio de mais de 20 milhões.

A caderneta e os papéis
Na bagagem do empresário a Polícia Federal encontrou uma caderneta com anotações de valores feitos à mão. Dentro da Land Rover Discovery 4 usada por ele havia ainda uma planilha impressa com pagamentos para fornecedores em cidades como São Caetano, Santa Cruz, Aracaju, Fortaleza e Lagarto. Mesmo sem apreensão de grandes quantias em dinheiro, celular, caderneta, carro e documentos passaram a ser peças centrais para montar o quebra-cabeça do desvio de recursos da saúde.

Possível fuga
A decisão judicial ressalta que Baccin já foi preso pelo menos seis vezes anteriormente, possui passaporte válido, histórico de viagens internacionais e valores ilícitos ainda não rastreados, fatores que representam risco concreto de fuga.

O que diz o prefeito Igor sobre
a investigação no hospital

De Brasília, o prefeito Igor Tambara falou com a redação e reafirmou que “não há apuração de crimes em contratos da prefeitura de Jaguari”. Ele destacou que o contrato do município “é 100% legal” e que a investigação trata apenas do que as entidades fizeram com o dinheiro recebido, já que atuam como filantrópicas. Tambara confirmou que vai nomear o interventor e pode conceder entrevista coletiva nas próximas horas.

Fonte: Polícia Civil/Federal

Os registros mostram que, muito antes da investigação atual, o nome de Humberto já aparecia em casos pesados na área criminal. (veja aqui)

Gravataí – RS – Em 2018, ele surgia nas páginas policiais como Humberto Silva De Lucca, 41 anos, preso em um condomínio fechado de Gravataí depois de ser considerado foragido pela Susepe. Condenado por porte ilegal de arma, receptação e uso de documento falso, cumpria pena em casa com tornozeleira, mas o sinal do equipamento apareceu bloqueado. A Brigada foi ao endereço por causa de uma denúncia de agressão e encontrou o empresário com mandado de prisão em aberto.

Naquela época, Humberto levava vida de alto padrão, com carro blindado, segurança particular e negócios no ramo de suplementos, ligado à polêmica da fosfoetanolamina vendida como solução milagrosa. Em reportagens ele aparecia como Humberto Silva De Lucca, em outras apenas como Humberto Silva e, agora, na investigação sobre desvios na saúde, surge como Humberto Silva Baccim. O nome muda, os sobrenomes variam, mas o fio da história segue o mesmo: longo histórico de encrenca com a Justiça.

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