Representante do CPERS fala sobre o adiamento da volta às aulas

"Muitos pais disseram que, mesmo que iniciassem as aulas, não enviariam os filhos por causa do calorão calorão"

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A Rádio Nova Pauta conversou com Leandro Parise, da Central do CPERS, para entender os motivos e as implicações do adiamento do retorno às aulas para o dia 17.

Nova Pauta: Leandro, o que motivou o pedido de adiamento das aulas?

Leandro Parise: Nós tivemos, na quinta-feira passada, uma audiência com o chefe da Casa Civil, em Porto Alegre, do governo do Estado. E dentre os pontos colocados, foi um pedido, porque havíamos recebido, e estamos ainda recebendo, diversos contatos, passando dos milhares, de professores e funcionários da rede estadual, para que não se iniciasse essa semana o ano letivo. Por dois pontos que nós temos que salientar também, para que se dê o destaque a esta questão do clima. Mas tem a questão também que muitos municípios do Estado não vão iniciar as aulas hoje, não iniciaram, né? E não haveria transporte escolar para diversas escolas da rede estadual. Mas enfim, foi a questão climática que chamou a atenção e que fez nós tomarmos essa atitude de ingressar na justiça.

Rádio Nova Pauta: Mas o governo do Estado anunciou que cada escola teria autonomia para decidir, não é? Isso não resolveria a questão?

Leandro Parise: Ficaria uma coisa muito desparelha, né? Ficaria uma coisa desparelha. Mas também se respeitava as regionalidades, né? E dentro da gestão democrática, sim, as direções teriam essa autonomia de iniciar, de consultar sua comunidade escolar ou não. Como eu disse, então, quinta-feira, nessa audiência com o chefe da Casa Civil, foi solicitado o adiamento do início do ano letivo. O secretário da Casa Civil, na quinta-feira de manhã, nos disse que cada escola teria autonomia para verificar a situação, se tinha ou não tinha condições de iniciar as aulas.

Rádio Nova Pauta: E como foi a reação da comunidade escolar a esse pedido de adiamento?

Leandro Parise: E falando em comunidades escolares, nós vemos até algumas publicações do próprio grupo aí, Roque, que consta que muitos pais concordaram com essa atitude, muitos dizendo que mesmo que iniciassem, não enviariam os filhos. Como a Casa Civil nos acenou com essa possibilidade da autonomia de cada escola, ah, ficou então, né? No aguardo do posicionamento da SEDUC. Quando foi na quinta-feira à noite, a SEDUC sequer, ah, respondeu a quem havia perguntado, no caso do sindicato, e foi colocado aí algumas notícias em órgãos de imprensa dizendo que não, que as aulas estariam mantidas para, para hoje. Então, na sexta-feira nós tínhamos conselho geral do CPERS, onde todos os diretores de núcleo estão presentes, e foi unanimidade que o CPERS atendendo a demanda dos seus sindicalizados, né? Tomasse essa atitude de tentar-se não iniciar o ano letivo neste dia de hoje, porque as condições climáticas estão aí, estão se fortalecendo e se concretizando referente ao calor, até o meio dessa semana, pelo menos.

Rádio Nova Pauta: E o governo do Estado recorreu dessa decisão?

Leandro Parise: Sim, o Estado já recorreu. Como estava de plantão no final de semana, eu acredito que durante o dia de hoje saia uma decisão, ah, para manter a liminar ou para que se volte às aulas. Eh, dependendo do que, de que for, se houver uma liminar de suspensão da nossa, é óbvio que nós vamos, né? Não vamos desrespeitar que nem o Estado fez. O governo do Estado ontem, através da secretária de educação, Roque, ficou o dia inteiro negando uma liminar, desobedecendo a justiça. Porque a informação para as escolas de que realmente professores e funcionários não também não deveriam trabalhar hoje, ela começou a circular por volta das 10 horas da noite. O Estado passou o dia inteiro desobedecendo a justiça. Ontem, para no final da noite, após mais uma vez nós pressionarmos e dizermos que estava errado professores e funcionários irem para as escolas, aí o governo, através das coordenadorias, ah, envia essa informação, como se eles mandassem na justiça também.

Rádio Nova Pauta: E qual a justificativa apresentada pela juíza para conceder a liminar?

Leandro Parise: O que embasou essa liminar, Roque? São nove páginas que a juíza que estava de plantão anexou para deferir a liminar, foram questões de estudos de institutos climatológicos. Então foi ali que ela se embasou, né? Com essa onda de calor que ainda passa durante a semana no Rio Grande do Sul. E depois, certamente, né? Haverá essa normalização. Não, não há previsão do CPERS para recorrer. Era esses, esse início de semana que nós pedimos ao governo do Estado. E tivemos através de uma, da imprensa, que eles escolheram uma negativa. Então, não restou outra alternativa. Certo. Mas agora então tá tranquilo, foi esclarecido, só fica no aguardo dos próximos passos agora.

Rádio Nova Pauta: Leandro, obrigado pelas informações.

Leandro Parise: Obrigado.

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