Doação de órgãos no Brasil: o caso do Faustão e a luta pela conscientização

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No Brasil, mais de 65 mil pessoas aguardam na fila por transplantes de órgãos, sendo 386 delas à espera de um coração, de acordo com o Ministério da Saúde. A fila para um coração novo pode variar de 2 a 18 meses, levando em conta a gravidade do paciente e a compatibilidade com o doador.

O apresentador Fausto Silva (leia mais aqui) também enfrenta a necessidade de um transplante de coração devido à insuficiência cardíaca. Embora a fila para corações seja menor, a urgência é maior, visto que o órgão é essencial à vida e só pode ser doado após a morte cerebral de outra pessoa, considerando ainda fatores como peso, altura e tipo sanguíneo.

Vídeo Faustão

O transplante de coração é a última alternativa, pois a situação é crítica para os pacientes. O processo de doação de órgãos no Brasil é gerido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, apesar da fila ser menor em comparação com outros órgãos, a recusa das famílias na decisão de doação e a falta de conscientização sobre a importância da doação têm sido obstáculos significativos.

G1

O Brasil é referencia

O Brasil é o segundo país do mundo em número de transplantes realizados, com cerca de 23,5 mil procedimentos em 2021, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O país possui mais de 600 hospitais autorizados a realizar transplantes e oferece assistência integral e gratuita aos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cobrindo desde exames preparatórios até medicamentos pós-transplante.

A doação de órgãos e tecidos no Brasil ocorre mediante autorização familiar e é direcionada para pacientes que estão na lista de espera única, organizada por estado ou região e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). No entanto, a recusa familiar tem sido um grande obstáculo para a doação de órgãos, com 43% das famílias recusando a doação em casos de morte encefálica comprovada em 2021, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Atualmente, mais de 59 mil pessoas estão na fila de espera por um órgão e, em 2022, mais de 45% das famílias não concordaram com a doação.

Tornar-se um doador

Para se tornar um doador, é necessário conversar com a família, já que no Brasil, a doação de órgãos depende de autorização familiar. Existem dois tipos de doadores: os vivos e os falecidos. O doador vivo pode ser qualquer pessoa saudável disposta a doar um rim, parte do fígado, medula óssea ou pulmão. Parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores vivos, enquanto não parentes requerem autorização judicial.

A legislação – lei n° 9.434/2007, regulamentada pelo decreto n° 9.175/2017 – define que a família tem a decisão final, não tendo mais valor a informação de doador ou não doador de órgãos, registrada no documento de identidade.

Os doadores falecidos são aqueles diagnosticados com morte encefálica, frequentemente resultante de lesões cerebrais graves como traumas cranianos ou AVC. Os órgãos doados são destinados a pacientes que aguardam transplante, com a alocação ocorrendo através de uma lista única gerenciada pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado, coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes.

Fontes: G1, CNN Brasil, Gov

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