(João Lemes) Todos os dias, milhões tentam passar num concurso. Com razão. Mais da metade dos servidores públicos estão no grupo dos mais ricos. O chamado “prêmio salarial” do funcionalismo brasileiro é o mais alto dos 53 países pesquisados pelo Banco Mundial.
Os servidores públicos, principalmente os federais, chegam a ganhar quase 70% a mais do que um empregado no setor privado em função semelhante, com a mesma formação e experiência.
No relatório “um ajuste justo”, proposto para aumentar a eficiência e equidade do gasto público no Brasil, o banco avalia que esses salários elevados fazem aumentar a desigualdade social.
Quem está achando muito, não esqueça de que ainda não falei dos supersalários, das aposentadorias acima do teto e das pilhas de outras vantagens. São distorções que não acabam mais no país das diferenças.
Baseado nesses desencontros, a reforma da Previdência quer um novo teto no setor público e uma aposentadoria mais igualitária, com, no máximo, 6 mil reais. Muitos não vão gostar, mas se queremos ver nosso país com menos fome, mais educação, segurança e saúde, temos que pensar no ajuste justo. Pelo menos mais justo do que o de hoje.



