É da fronteira esse fã do nosso Ataliba de Lima Lopes

(por João Lemes) Nestas minhas andanças em palestras, encontrei muitos amigos e fiz outros tantos. Em Dom Pedrito, lá na fronteira com o Uruguai, encontrei esse taura chamado de Zé Madruga. O índio velho foi capataz de fazenda. E me disse que naquele tempo não se enjeitava serviço.
Hoje, veterano, mora na cidade, pois perdeu sua companheira. Como diria meu velho tio. Aí “se desgosto-se”.

Conversa vai, trova vem, descobri que o macanudo entendia muito da cultura regional, toca gaita e, para gáudio meu, disse que era fã do meu amigo, o grande compositor sulino, Ataliba de Lima Lopes. Disse que o “escuitava” toda manhã pela Verdes Pampas e se abismava do conhecimento do santiaguense da Vila Flôr.
Eu não sei por que, mas quando estamos longe do pago e alguém nos fala em amigos da gente, ficamos que nem criança de bombacha nova, e de casimira.
Fiquei tão faceiro que até tirei uma foto e mandei “prao Ataliba”.

O Ricardo Andrade e o Airton Dornelles, que andavam comigo, ao ver aquele alarido de um bicaquense e um dom-pedritense, se acercaram para escutar nossa seca. “Prao que foi”: quando souberam que se tratava do grande Ataliba, também ficaram muito contentes.
É por isso que eu digo, parafraseando o Jayme Guilherme Caetano Braun: não importa para onde você vá, importa mais o que você fez na estrada, se traz uma boa mala de garupa. Vida longa ao Zé Madruga e ao grande Ataliba.



