(por João Lemes) Desde 2014, há um decreto em Santa Maria determinando que os motoristas que trabalham com uma concessão pública devem usar calça ou bermuda, jeans ou social, nas cores azul e preta. Também precisam vestir camisa social ou polo, sem estampa, e o calçado precisa ser preto: sandália ou sapato. Certamente a lei foi feita para padronizar, organizar, ajeitar pelo melhor.
Tudo certo? Não! Não para o seu Ricardo Gonçalves, que prefere a bombacha por que é gaúcho. Não está tudo certo porque no Brasil, o país da hermenêutica*, o que queremos é quebrar regras, dar jeitinho de “interpretar” a nosso modo, conforme nós achamos que seja o certo e não pela lei, pelo acordo.
Você chega num estacionamento regulamentado e coloca o carro. O guarda fala e você diz: “Mas é só por 5 minutinhos”.
Você joga um lixo num lugar público e, quando sai sua foto, diz: “Nunca joguei. Foi só hoje”.
O professor tira a prova de quem cola e dá zero. O pai do aluno diz: “Pensei que você fosse meu amigo”.
Seu Ricardo foi multado em 149 e já recorreu, mas perdeu e teve que pagar. As outras duas multas aguardam recurso. E se ele perder, terá mais um prejuízo 472. Sei que muitos especialistas já estão com peninha do seu Ricardo, dizendo que a bombacha é nosso símbolo, que é digna etc etc. Mas aí eu pergunto: não é mais fácil seguir a regra?
*Hermenêutica – ramo da Filosofia que estuda a teoria da interpretação,


