EUA definem facções como terroristas: o que pode mudar?

A decisão pode mudar o combate ao crime e criar barreiras na troca de informações com o Brasil

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São Paulo – SP – O governo dos Estados Unidos decidiu classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida preocupa especialistas, que temem impactos negativos na cooperação policial e na soberania nacional. O advogado criminalista Daniel Kessler alerta que, no Brasil, o crime organizado tem motivação econômica, o que é bem diferente das razões ideológicas que definem o terrorismo pela nossa lei.

A preocupação com a soberania nacional
O grande medo é que, com o novo rótulo, o assunto deixe de ser tratado apenas pelas polícias e passe para o campo militar e de inteligência. Isso abriria margem para os Estados Unidos realizarem ações unilaterais em nosso território, sem pedir licença ao governo brasileiro. O especialista lembra casos envolvendo México e Venezuela, onde os americanos agiram por conta própria sob a desculpa de combater o narcotráfico. Para o Brasil, isso representa um risco perigoso.

Cooperação policial pode ficar travada
Atualmente, a troca de informações entre polícias de diferentes países ajuda a prender chefões do crime. Com a mudança, o trabalho sairia das mãos do FBI e iria para órgãos como a CIA, onde tudo é mantido em segredo. Kessler avisa que isso pode dificultar o compartilhamento ágil de dados que hoje funciona bem. Além disso, empresas e bancos brasileiros que tiverem qualquer relação, mesmo sem saber, com dinheiro ligado a essas facções, podem sofrer sanções econômicas e bloqueios severos vindos de fora.

O problema de fundo que ninguém resolve
Mais do que mudar nomes ou classificar facções, o advogado aponta que o Brasil precisa enfrentar a raiz do problema. O sistema prisional, segundo ele, hoje funciona como um recrutador para o crime, onde o Estado acaba ajudando as facções a crescerem em vez de enfraquecê-las. Para o especialista, combater o crime exige estratégia séria dentro das fronteiras, e não apenas depender de rótulos que podem trazer mais dor de cabeça do que solução.

Redação, João Lemes; Fonte: Daniel Kessler / Feevale ⚖️

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