São Francisco de Assis – RS – (Por João Lemes) – Tatieli Salbego (Tati) é uma das mulheres mais conhecidas e populares da Terra do Bugio. Foi decisiva nas campanhas do esposo, o prefeito Paulinho Salbego, e conquistou respeito por sua presença junto às comunidades. Quem a encontra trabalhando na Secretaria de Desenvolvimento Social ou em eventos acompanhando o esposo pode imaginar que está tudo 100%. Mas por trás do sorriso, existe uma mulher que conhece de perto a preocupação, o medo e a necessidade de recomeçar.
A força da família
Primeiro vieram os graves problemas de saúde da filha caçula, nascida prematura. Tati precisou dividir-se entre a maternidade, a casa, o trabalho e uma rotina de cuidados que exigiu muito da família. A menina venceu suas dificuldades e foi criada para ser independente. Depois, foi o esposo Paulinho que enfrentou problemas de saúde. Separadas as duas fases, agora é a própria Tati quem luta contra o diabetes tipo 1, descoberto aos 41 anos.

O diagnóstico
Os primeiros sinais do diabetes apareceram de repente. Tati passou a sentir uma sede intensa, dormia com uma garrafa de água ao lado da cama e perdia as forças antes da metade da manhã. Em menos de 15 dias, recebeu o diagnóstico e começou a usar insulina.
A primeira aplicação ficou marcada pelo nervosismo. Ela admite que nem lembra qual dose aplicou naquele momento. Desde então, precisou aprender uma nova rotina, cuidar da alimentação e conviver com uma doença que exige atenção permanente.
Pelo jeito, ela recebeu o dom (e também a responsabilidade) de ser a mais forte da família. Após um período de férias e tratamento, retomou suas atividades. Segue firme, embora saiba que força não significa ausência de medo ou sofrimento. “Sou uma mulher forte, embora muitas vezes essa força seja uma necessidade. Também sou humana, erro, aprendo, choro e recomeço”, afirma.
As raízes do interior
Tati nasceu numa família de pequenos produtores rurais e viveu no interior de São Francisco de Assis até os 15 anos. Ajudava nos trabalhos da lavoura e aprendeu cedo o valor da simplicidade, da responsabilidade e do esforço. Mudou-se para a cidade para estudar, trabalhou por mais de 15 anos no comércio e na prestação de serviços e, mais tarde, ingressou na vida pública.
Mesmo como primeira-dama e secretária, não esquece de onde veio. “Cargos são passageiros. Hoje estou primeira-dama, hoje estou secretária. Daqui a algum tempo não estarei mais. Quem me conhece sabe que jamais vou mudar quem eu sou por causa de um cargo ou me sentir superior por ocupá-lo”, descreve.
A mulher comum
Além das funções públicas, Tati acompanha os dois filhos, cuida da casa e divide a rotina com o esposo. Vai ao mercado e à farmácia, limpa e cozinha. Também reconhece nos pais o suporte que permite enfrentar tantos compromissos. É uma realidade semelhante à de muitas mulheres que tentam dar conta de tudo sem deixar transparecer o peso carregado.
“Sou insistente, persistente e, diria até, um pouco teimosa. Quando coloco uma ideia na cabeça, vou até conseguir fazê-la dar certo.” Essa disposição aparece nos projetos sociais. Tati não se contenta com o básico: “Se fosse para fazer apenas o arroz com feijão todos os dias, eu nem iria trabalhar. O que me move é saber que posso contribuir para melhorar a vida das pessoas.”
São Francisco precisa dela
Tati poderia recolher-se diante de tudo o que enfrentou. Preferiu continuar. O tratamento permanece importante, assim como o descanso e o cuidado consigo mesma. Mas sua história mostra que fragilidade e força podem caminhar juntas.
São Francisco de Assis, especialmente sua população mais humilde, precisa de gente que conheça a realidade do interior, entenda as dificuldades das famílias e não olhe o cargo de cima para baixo. Tati Salbego reúne essas qualidades. Ela aprendeu na lavoura, na maternidade, na política e na própria saúde que cair não encerra uma caminhada. Às vezes, apenas ensina uma mulher forte a levantar de outro jeito.


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