Contas públicas e escolha da Fazenda preocupam investidores

A dívida elevada aumenta a pressão por medidas que equilibrem gastos, programas sociais e investimentos

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Nacional – A Bolsa brasileira caiu 13,88% no primeiro pregão após o segundo turno, e o dólar chegou a 5,40 reais, segundo reportagem de Carlos Eduardo Vasconcellos. A queda levou à suspensão temporária das negociações, mecanismo usado para conter oscilações extremas. O movimento refletiu, conforme a análise, a reação de investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e em cortes mais profundos nas despesas da União.

O receio com os gastos
Para César Bergo, professor de mercado financeiro da Universidade de Brasília, as promessas de privatizações, redução de ministérios e corte de despesas feitas pela campanha de Flávio agradaram a parte do mercado. Com a vitória de Lula, esses investidores passaram a cobrar sinais sobre a condução econômica. O temor é de que o crescimento dos gastos pressione a dívida e a inflação, dificultando a redução dos juros.

O peso da dívida
Conforme os dados do Banco Central citados na reportagem, a dívida bruta chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto em agosto, equivalente a 11,1 trilhões. Em 12 meses, os juros somaram 1,18 trilhão. Antes dessa conta, o setor público já gastava 82,1 bilhões a mais do que arrecadava. Incluídos os juros, o resultado negativo alcançou 1,26 trilhão. O desafio é impedir que a dívida continue crescendo em relação ao tamanho da economia.

O esforço necessário
Uma estimativa da Instituição Fiscal Independente, apresentada no texto, aponta um ajuste de 450 bilhões para passar de um cenário de déficit em 2027 a uma economia suficiente para estabilizar a dívida. Isso significa arrecadar mais do que se gasta antes do pagamento de juros. A dificuldade será conciliar esse esforço com as promessas de campanha, a manutenção dos programas sociais, os investimentos e as negociações com o Congresso.

Os nomes para a Fazenda
Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, aparece como o principal cotado para comandar a economia. Ele já foi secretário estadual da Fazenda e tem experiência no controle de despesas. Fonteles, porém, afirmou que não discutiu cargos com Lula e espera assumir novamente o governo estadual. Geraldo Alckmin, Dario Durigan e Gabriel Galípolo também são mencionados, sem escolha confirmada.

(Redação, João Lemes. Fonte: Carlos Eduardo Vasconcellos)

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