A Justiça reconheceu legalidade das palestras do ex-presidente Lula; Bolsonaro indica ao STF nome apoiado pelo centrão

“O tempo é o senhor da razão”, diz a jornalista Kelly Matos, de Zero Hora. O ex-juiz federal Sérgio Moro, um dos personagens mais emblemáticos da luta contra a corrupção, saiu do governo Bolsonaro antes de completar dois anos do cargo. Pediu demissão, acusando o presidente, sob risco de o governo implodir.
Kelly Matos destaca: “Bolsonaro resistiu e ficou mais forte. Desdenhou de Moro e viu seus índices de popularidade subirem a partir de benefícios à população mais carente em meio à pandemia”.
A indicação do desembargador Kássio Nunes para o STF caminha nesta direção. A escolha de Bolsonaro teve aval dos principais líderes do centrão. O senador Ciro Nogueira, que é alvo da Lava-Jato desde a gestão Moro, cumprimentou Bolsonaro: “Kássio é considerado um dos desembargadores federais mais produtivos entre seus pares e todos que conhecem a sua trajetória sabem da sua competência e comprometimento”.
E dizer que essa mesma vaga chegou a ser oferecida a Moro.
Vitória de Lula
O inferno astral do ex-juiz não se encerra do lado bolsonarista. Após cinco anos, a juíza federal Gabriela Hardt, de Curitiba, reconheceu a legalidade das palestras do ex-presidente Lula, investigadas por Moro na Lava-Jato.
Milhões no bolso
Ela autorizou a liberação de metade dos 9 milhões e 300 mil reais que estavam bloqueados em uma conta de Lula. E destacou, admitindo que foram legais as 23 palestras de Lula a empreiteiras que entraram na mira do ex-ministro: “Não houve comprovação de que os valores bloqueados possuem origem ilícita. Deve-se presumir sua licitude”, escreveu a juíza.
Personalidade da década
Moro, que chegou a ser eleito uma das 50 personalidades da década pelo jornal “Financial Times”, saiu derrotado em ambos os episódios recentes. Resta saber, a longo prazo, quem pode ser declarado vencedor. (Zero Hora)



