São Pedro do Sul – Era uma manhã daquelas que você acha que nada de interessante vai acontecer. Interior pacato, acordava devagarzinho, como quem não quer nada. Mas o destino tinha outros planos para a pequena cidade.
Lá pelas tantas da madrugada, um estrondo ecoou pelo Cerro Baltazar. Uma sinfonia mecânica seguida de um suspiro final. O caminhão Mercedes 608, que até então tinha lá seus sonhos de uma vida longa e próspera, decidiu que era a hora de se aposentar, ali, bem no meio do nada.
A vizinha, uma senhora de 51 anos, acordou sobressaltada com a orquestra motorizada. Seu sono foi interrompido por um concerto de engrenagens desafinadas. O caminhão parecia implorar por uma aposentadoria digna.
Ela, em um misto de valentia e preocupação, resolveu ser a heroína do dia. Sem titubear, pegou o telefone e fez a ligação que mudaria o destino daquela manhã sonolenta: a Brigada Militar estava a caminho.
- Os soldados chegaram com a determinação de quem estava prestes a enfrentar um crime de proporções épicas. Afinal, não é todo dia que um caminhão decide se rebelar e parar no meio do caminho. Chegaram prontos para um embate, mas o que encontraram foi um caminhão pifado, cansado da estrada, e um rebanho de vacas e terneiros com olhares de quem sabia que tinham se metido em encrenca.
Os abigeatários, ao perceberem que o veículo estava mais para sucata que para fuga, tomaram a única decisão possível: abandonaram o barco. Ou melhor, o caminhão carregado de vacas.
A Polícia foi chamada para os detalhes finos dessa trama. Enquanto isso, o caminhão foi guinchado para o depósito, onde provavelmente começaria uma nova carreira como peça de museu.
E para as vacas e terneiros, um final feliz. Foram devolvidos à sua legítima proprietária, com exceção de um infeliz que pagou o preço da imprudência e ficou eternizado no compartimento de carga do caminhão, como um triste monumento ao fracasso.
O interessante é que nada vai acontecer, como sempre,