Prisões, droga e a conta que todos pagamos

Já são 310 milhões em 2024 e 2025 em equipamentos, viaturas e tecnologia

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A apreensão em Pelotas expõe o ciclo que prende jovens e alimenta o tráfico
O RS tem cerca de 50 mil pessoas sob custódia (presos e com tornozeleira) e o Brasil é o terceiro país que mais encarcera

Santiago – RS – (João Lemes) Não há um dia da nossa trajetória jornalística sem notícia de apreensão de drogas ou prisão por droga. Agora mesmo veio de Pelotas. A Polícia Rodoviária prendeu 20 quilos de maconha na manhã de domingo, em operação na BR-116. A droga estava na mala de uma passageira de um ônibus que seguia de Porto Alegre para Pelotas. A jovem, 19 anos, natural de Florianópolis, disse que embarcou em Lages e entregaria a carga em Pelotas. Ela não tinha antecedentes.

Essa jovem, sem antecedentes, entrou para fazer algum dinheiro. Serviu de mula. Carregou a droga para traficantes. Vinte quilos de maconha dentro do ônibus e foi apanhada. Esse caminho não tem volta. A pessoa entra pensando que leva uma vez, ganha um bom dinheiro e pronto. Gasta. Volta. E volta de novo. É um círculo vicioso.

Mais vicioso ainda é a sociedade que consome. Falamos de prisões, de traficantes, de quem se envolve no tráfico. Isso sem falar de quem usa, dos lares que se acabam. A sociedade consome e depois pergunta se a polícia não vai prender. A polícia prende. E logo alguém corre atrás de outro fornecedor. Isso não acaba. A tendência é aumentar.

Na semana passada o governador Eduardo Leite entregou viaturas e armas para fortalecer a polícia. Dinheiro que poderia ir para saúde e educação vai para combater a criminalidade. É claro que precisa combater. É claro que tem de dar equipamento. Mas vejam onde chegamos e o que acontece com o ser humano que se desvia do caminho do bem. Quem paga a conta somos todos nós.

Cada preso hoje custa em torno de dois mil reais. Só no RS são cerca de 50 mil pessoas sob custódia somando os que estão fechados e os que usam tornozeleira. O Brasil é o terceiro país que mais prende pessoas. Em cidades com boa segurança, como Santiago, ainda vivemos com mais tranquilidade. E as outras? Sequestro, m0rtes, assassinatos. Facções que se matam. A cada dia alguém cai, principalmente jovem.

Sem enfrentar o consumo, sem prevenção, escola, trabalho e apoio às famílias, seguiremos enxugando gelo. A polícia faz a parte dela. Falta o resto da sociedade fazer a sua.

Segurança reforçada no RS

Já são 310 milhões em 2024 e 2025 em equipamentos, viaturas e tecnologia

Porto Alegre – RS – O governador Eduardo Leite entregou 101 viaturas e 1,5 mil armas para reforçar Polícia Civil, A Brigada e bombeiros, em ato no Largo Zumbi dos Palmares; 48 municípios serão atendidos; a distribuição inclui para a Polícia Civil seis veículos e pistolas 9×19 mm; para A Brigada 71 automóveis, 200 espingardas e oito carabinas; para os bombeiros 12 viaturas e sete caminhões; o investimento direto é de 46 milhões de reais via FNSP, Fesp, Piseg e Detran-RS e integra um plano que soma 310 milhões em 2024 e 2025 em equipamentos, viaturas e tecnologia.

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