Bento Gonçalves – RS – (João Lemes) – Enquanto o Brasil patina na tentativa de reduzir a fila dos programas assistenciais, uma cidade da Serra Gaúcha decidiu que o melhor caminho para a dignidade não é o cartão do banco, mas a carteira assinada. Em um movimento audacioso de “caça aos talentos” nos cadastros da assistência social, Bento Gonçalves conseguiu um feito que parece impossível: reduzir em quase 40% o número de famílias dependentes do Bolsa Família em apenas um ano. O segredo? Ir atrás de quem recebe o auxílio e oferecer uma vaga de emprego real na mão.
A busca ativa pelo trabalhador
A prefeitura não ficou esperando o cidadão bater na porta. Equipes de assistência social fizeram uma verdadeira varredura para identificar quem tinha perfil para o trabalho. O serviço vai além do encaminhamento: o município ajuda a montar o currículo, treina para a entrevista e ainda segura na mão do novo contratado nos primeiros dias de serviço para garantir que ele se adapte. É um suporte completo para que o ex-beneficiário não sinta medo de trocar o auxílio pela renda própria.
Números que dão um banho no país
Os dados não mentem e mostram um abismo entre o que acontece em Bento e no restante do Brasil. Em novembro de 2024, eram 2.215 famílias assistidas; hoje, esse número caiu para cerca de 1.400. Enquanto Bento registrou essa queda de 40%, o Rio Grande do Sul baixou apenas 15% e a média nacional ficou em modestos 11%. Para o prefeito Diogo Siqueira, a lógica é simples: o trabalho é a forma mais eficaz de inclusão. Quem conquista o próprio salário ganha, junto com o dinheiro, a sua independência.
Pente-fino e economia forte
Claro que nem tudo é apenas flores e currículos. O município também apertou o cerco contra irregularidades, fazendo um pente-fino rigoroso nos cadastros para cortar quem recebia sem ter direito. Aliado a isso, a força da indústria e do comércio local ajudou a absorver essa mão de obra. A experiência da “Capital do Vinho” agora ganha repercussão nacional, provando que o equilíbrio entre proteção social e desenvolvimento econômico é possível quando se troca o assistencialismo pela oportunidade.
Redação, João Lemes; Fonte: CNN
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