Nacional – A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, defende a revogação de mais de mil normas para simplificar regras e reduzir a burocracia e a tributação. Em evento do Esfera Brasil, ela apresentou as reformas de Javier Milei como inspiração para um eventual governo do senador. A proximidade com o presidente argentino virou tema do debate com Lula no dia 18. Os resultados do país vizinho, porém, combinam avanços no controle dos preços com dificuldades no emprego, na renda e na produção.
A inflação e o bolso
Segundo os dados do Indec apresentados pela Exame, a inflação argentina acumulada em 12 meses chegou a 289,4% em abril de 2024. Depois, caiu para 117,8% no fim daquele ano e 31,5% em dezembro de 2025. Em setembro de 2026, estava em 33,4%. Milei adotou cortes de gastos, restrição à circulação de dinheiro e uma política de valorização da moeda para conter os preços. Inflação menor, entretanto, não significa que os produtos voltaram a custar menos: significa que ficaram mais caros num ritmo menor.
A pobreza voltou a subir
Após atingir 52,9% no primeiro semestre de 2024, a pobreza recuou para 38,1% no segundo semestre daquele ano, 31,6% no início de 2025 e 28,2% no fim de 2025. A melhora perdeu força em 2026: o índice subiu para 32,3% no primeiro semestre. O levantamento abrange 31 aglomerados urbanos, onde 9,7 milhões de moradores estavam nessa situação. A extrema pobreza também avançou, de 6,3% para 7,5%, atingindo 2,2 milhões. Nessa condição estão famílias cuja renda não cobre sequer a cesta básica de alimentos.
O crescimento perdeu força
Depois das quedas de 1,86% em 2023 e 1,34% em 2024, o Produto Interno Bruto cresceu 4,37% em 2025, conforme os dados do Banco Mundial citados na reportagem. Em 2026, a economia voltou a apresentar dificuldades: recuou 0,6% no segundo trimestre. Outra queda consecutiva caracterizaria recessão técnica. A expectativa de crescimento para o ano ficou em torno de 1,5%, abaixo das projeções do início de 2026.
O emprego e a indústria
O desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre, contra 7,6% no mesmo período de 2025. A subocupação, que inclui trabalhadores com menos horas de serviço do que gostariam, atingiu 11,5%, e a informalidade permanece elevada. Com o orçamento apertado, as famílias reduzem as compras, enquanto os fabricantes enfrentam a concorrência de produtos estrangeiros. Segundo o Centro de Economia Política Argentina, as importações de bens de consumo cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2023. Nesse intervalo, a produção industrial caiu 12%. Custos elevados e endividamento das famílias também limitam os negócios, conforme entidades empresariais argentinas. (Redação, João Lemes. Fonte: Exame)
Acompanhe o NP pelas redes sociais:
- Tiktok: @np.expresso
- Comunidade no WhatsApp: Clique Aqui
- Instagram: npexpresso
- Facebook: NPExpresso



