Ministério Público aponta uso de verba da saúde e educação em shows

A ação pede a anulação do contrato e a devolução dos valores; Prefeitura e produtoras defendem a regularidade

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Marília – SP – As apresentações de Gusttavo Lima e Maiara e Maraisa no 1º AgroFood Show, realizado em setembro, custaram 2,254 milhões de reais em contratos. O Ministério Público de São Paulo questionou os gastos na Justiça, afirmando que a Prefeitura retirou recursos de serviços essenciais para custear os shows. O processo ainda não foi julgado.

A origem dos recursos
Segundo a ação, a gestão transferiu 1,53 milhão do orçamento da saúde e 170 mil da educação, totalizando 1,7 milhão. O contrato de Gusttavo Lima previa 1,5 milhão, e o da dupla, 754 mil. O promotor Rodrigo Molaro argumentou que a contratação ocorreu num cenário de dificuldades financeiras: em junho, o município acumulava déficit superior a 16 milhões, além de obrigações pendentes e insuficiência de recursos na previdência dos servidores.

A resposta da Prefeitura
O prefeito Vinicius Camarinha (PSDB), eleito em 2024 e apoiador de Flávio Bolsonaro, atribuiu o desequilíbrio à administração anterior. Na defesa apresentada à Justiça, a Prefeitura afirmou que adota medidas para recuperar as contas e que a transferência dos recursos cumpriu os requisitos legais. Também sustentou que o evento integra uma política de desenvolvimento econômico, reunindo agronegócio, gastronomia, supermercados, comércio e turismo de negócios.

A defesa das produtoras
A Balada Eventos e Produções, de Gusttavo Lima, afirmou que o valor contratado não corresponde apenas à remuneração do cantor. Segundo a empresa, o pagamento cobre produção, hospedagem, logística e os demais profissionais da apresentação. A produtora declarou que não administra recursos públicos nem participou das decisões municipais questionadas.

A Show Completo Produções Artísticas, responsável por Maiara e Maraisa, também defendeu a regularidade da contratação e informou que recebeu o pagamento. A empresa argumentou que cabe à administração municipal decidir sobre o remanejamento orçamentário. Os pedidos de anulação e devolução dos valores dependem da análise da Justiça.

(Redação, João Lemes. Fonte: Terra)

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