Rio de Janeiro – RJ – Preços mais baixos e pacotes com diárias de terapia intensiva atraíam pacientes à clínica Celita Toledo, em Laranjeiras, na Zona Sul. Agora, a polícia investiga três mort3s e denúncias de complicações graves, deformidades e mutilações. Segundo a reportagem do Fantástico, a investigação começou há seis meses e examina quem realizava os procedimentos e em quais condições.
Os casos das pacientes
A técnica de enfermagem Isabely tinha 42 anos e morr3u durante uma cirurgia na barriga, após sucessivas paradas cardíacas, conforme a família. Os parentes também questionam a qualificação do profissional responsável pela anestesia. Jéssica tinha 32 anos e morr3u por infecção generalizada depois de dois meses internada. Segundo o marido, Geneir dos Santos, ela voltou à clínica para corrigir intervenções no peito e na barriga e recebeu a sugestão de uma remodelação das costelas. Ele afirma que houve perfuração intestinal e pelo menos 20 procedimentos de lavagem cirúrgica.
A atuação dos pós-graduandos
A clínica mantinha convênios com instituições que oferecem pós-graduação a médicos formados em outros países da América Latina. O delegado Wellington Vieira investiga se esses alunos operavam sem supervisão e sem o conhecimento das pacientes. Segundo ele, documentos apresentados pelo estabelecimento identificavam outro profissional como responsável pela cirurgia. Um sócio e um médico peruano sem registro profissional chegaram a ser detidos e foram liberados após prestar depoimento.
As vistorias e as sequelas
O Conselho Regional de Medicina apontou falta de sala de recuperação pós-anestésica, ausência de anestesista e uso irregular de pós-graduandos como cirurgiões auxiliares. A Vigilância Sanitária encontrou medicamentos vencidos e itens sem esterilização. O conselho abriu um procedimento de interdição, mas a clínica segue funcionando. Entre as pacientes, Adriane Oliveira denunciou necrose, infecção e deformidade na barriga. Gisele Reis questionou cortes e pontos diferentes nas axilas. Thayze Santos afirmou que ficou com os seios desiguais e recusou um reparo por medo de novas complicações.
A resposta da proprietária
Celita Toledo negou irregularidades e afirmou que profissionais habilitados faziam as cirurgias, acompanhados pelos pós-graduandos. Disse colaborar com a investigação e negou falhas do estabelecimento. Questionada sobre o que precisaria melhorar, respondeu: “Talvez seja selecionar o público”. Familiares e pacientes cobram a interdição e a responsabilização dos envolvidos. Ao falar sobre as intervenções, Adriane declarou que as pacientes foram tratadas como “cobaias”. (Redação, João Lemes. Fonte: g1/Fantástico)
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