Passo Fundo – RS – (João Lemes) – Cerca de 42 quilos de maconha foram apreendidos em duas ocorrências atendidas pelo Batalhão de Choque. Os policiais também encontraram cocaína e materiais ligados à venda de drogas. Dois suspeitos foram levados à delegacia, mas saíram em liberdade após os procedimentos. A polícia cumpriu sua parte, retirou uma grande quantidade de droga de circulação e apresentou os envolvidos. Mesmo assim, ficou novamente a sensação de que os agentes estão enxugando gelo.
Em uma das casas, segundo as informações divulgadas, a droga estaria sendo preparada para venda na presença da filha de uma investigada, de apenas nove anos. A criança chorava enquanto os policiais trabalhavam. Essa é a imagem mais dolorosa de toda a ocorrência, pois mostra como o tráfico invade famílias e compromete o futuro de quem deveria receber proteção. Que perspectiva terá uma criança criada em um ambiente cercado por drogas, balanças e prisões? O problema não termina quando os pacotes são apreendidos. Ele continua dentro das casas e deixa marcas profundas.
Ninguém defende prisões sem fundamento ou o abandono das garantias legais. Porém, decisões que colocam suspeitos novamente nas ruas, poucas horas depois de grandes apreensões, precisam ser explicadas com clareza. Sem essa resposta, cresce a indignação e diminui a confiança da comunidade. Os policiais arriscam a vida, fazem as prisões e retiram drogas das ruas, enquanto a sociedade fica sem compreender o resultado. Combater o tráfico exige investigação, Justiça, prevenção e proteção às crianças. Caso contrário, o esforço se repete, as famílias continuam sofrendo e permanece a amarga impressão de que todo o trabalho começa novamente no dia seguinte. (Redação, João Lemes. Fonte: Rádio Uirapuru/João Victor Lopes)
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