Estado – RS – Em menos de duas semanas de 2026, dois acidentes com tratores já resultaram em mortes no RS. Um deles ocorreu em Antônio Prado, onde um agricultor de 48 anos morreu após o trator tombar e cair sobre ele. O outro caso foi registrado em Veranópolis, com a morte de um idoso de 79 anos, também encontrado preso embaixo da máquina agrícola. A repetição de casos acende o alerta para um problema antigo no campo e nas estradas do Estado.
Números preocupantes
Um levantamento de Zero Hora mostra que, em 2025, foram ao menos nove acidentes com tratores noticiados no RS, oito deles com mortes. Os dados oficiais, porém, podem ser ainda maiores. Segundo o professor Leonardo Monteiro, da Universidade Federal do Ceará, não existe um órgão que concentre essas informações, o que gera subnotificação e dificulta ações de prevenção.

Perfil dos acidentes
A maioria das ocorrências acontece dentro das propriedades rurais, especialmente na agricultura familiar. Tratores de menor potência, entre 50 e 120 cavalos, são os mais envolvidos. Monteiro explica que, nesses casos, o aprendizado costuma ser passado de geração em geração, sem treinamento formal, o que aumenta o risco.
Excesso de confiança
Outro fator recorrente é o perfil dos condutores. Os acidentes atingem, em grande parte, operadores mais velhos e experientes. O excesso de confiança, aliado à rotina repetitiva do trabalho no campo, leva à negligência com cuidados básicos. Segundo o especialista, operadores mais jovens tendem a ser mais cautelosos do que aqueles que trabalham há décadas com o maquinário.
Falha no uso de segurança
Mesmo quando os tratores têm sistemas de proteção, como estrutura contra capotamento e cinto de segurança, o problema está no uso incorreto. Muitos operadores não utilizam o cinto e tentam pular da máquina durante o tombamento, sendo esmagados pelo próprio trator.
Risco nas estradas
Os acidentes em vias públicas têm outra característica. A maioria ocorre à noite, em estradas municipais, por falta de sinalização, iluminação e também imprudência de outros motoristas. Os casos de Antônio Prado e Veranópolis em 2026 ocorreram justamente nessas condições, com tratores que caíram em barrancos e capotaram.
Alerta no campo
Especialistas defendem campanhas de conscientização e políticas públicas voltadas tanto aos agricultores quanto aos demais usuários das estradas. O trator só vai para a estrada por necessidade, reforça Monteiro. Sem orientação, fiscalização e treinamento, o risco segue alto e as mortes continuam se repetindo. Fonte: GZH / Zero Hora / UFC


