Santiago/RS – A advogada criminalista Gabriele Leiria foi a convidada de mais uma edição do Podcast Nova Pauta. Em uma conversa marcada por reflexões sobre justiça, desigualdade social, desafios profissionais e o papel da mulher em espaços tradicionalmente ocupados por homens. Jovem, determinada e atuando em uma das áreas mais complexas do Direito, Gabriele compartilhou sua trajetória profissional, relatando os desafios enfrentados desde o início da carreira e os obstáculos encontrados por mulheres que atuam na advocacia criminal.
Desafios de ser mulher na advocacia criminal
Durante a entrevista, a advogada revelou que, por ser jovem e mulher, frequentemente sente a necessidade de demonstrar ainda mais preparo e competência no exercício da profissão. Segundo ela, o meio jurídico ainda carrega estigmas e preconceitos que se manifestam de diferentes formas, muitas vezes de maneira velada e até explícita. Mas que encontrou na excelência técnica uma forma de enfrentar julgamentos e fortalecer sua atuação profissional.
Sistema penal e desigualdade social
Outro tema que ganhou destaque foi a realidade do sistema penal brasileiro. Gabriele apresentou dados sobre o cenário carcerário e afirmou acreditar que, muitas vezes, a estrutura penal acaba atingindo com mais intensidade pessoas em situação de vulnerabilidade social. A criminalista ressaltou que a população carcerária brasileira apresenta altos índices de jovens, pessoas negras e com baixa escolaridade, reforçando a necessidade de ampliar discussões sobre justiça, inclusão social e políticas públicas.
Humanidade além dos processos
Mesmo convivendo diariamente com casos envolvendo violência, dor e situações complexas, Gabriele afirmou que a advocacia criminal ampliou sua sensibilidade humana.
Para ela, compreender as histórias, os contextos e as circunstâncias que envolvem cada pessoa é parte essencial do trabalho, permitindo uma atuação mais justa e humanizada. Segundo a advogada, por trás de cada processo existe uma história, uma família e uma realidade que precisam ser compreendidas.
“Resistência” define a trajetória
Durante o quadro, estilo Pinga-Fogo, Gabriele foi convidada a definir a si mesma em uma única palavra. A resposta veio de forma direta: “resistência”.
Ela explicou que a palavra representa não apenas a resistência aos estigmas enfrentados na profissão, mas também sua postura diante dos desafios e sua busca constante por transformar realidades através do Direito.
Protagonismo feminino e transformação social
Associada da AME – Associação Mulher Empreendedora, Gabriele destacou ainda a importância de incentivar mulheres a ocuparem espaços de liderança e protagonismo, especialmente em áreas consideradas historicamente masculinas.
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