
(Por Tas Campos Corrêa) Que a doença chega para todos, não só para quem está de lenço. Todos passam a viver naquele mesmo grupo e tudo muda: o dia e a noite ganham um novo significado e mesmo com dores em lugares diferentes, ela não deixa mais de existir.
O câncer é uma doença e não um castigo, e é tão complexo tentar ensinar isso a uma criança que diz: “…minha avó era boa. – Por que isso?”
As pessoas que se curam do câncer não venceram uma batalha, pois em uma batalha sempre existem ganhadores e perdedores. Nossa mãe não perdeu e seria imensamente injusto com ela, afirmar isso.
Dizer o tempo todo que alguém precisa ser forte, é doído e vai trazer a sensação de que a pessoa não está conseguido ou não está fazendo o suficiente.
Nossa mãe, era uma das pessoas mais fortes que já conhecemos na vida.
O câncer, quando descoberto a tempo, tem cura. Esqueça tudo de ruim quando tiver proximidade com ele. Cada caso, é o seu próprio e único caso.
Não podemos confiar em um médico só, e nem em 3. Eles são falhos e aquele médico seu de confiança, pode fazer muito mais que o “cobra” de cidade grande.
Existe o profissional da ciência e o profissional da alma e as vezes o processo de cura depende muito mais do segundo, do que do primeiro, pois para um corpo doente é necessário um médico; já para a alma, um amigo de Deus, de verdade.
Como é importante escutar um paciente com câncer, principalmente sobre as suas próprias escolhas. Existe um mundo interno muito diferente e particular em cada ser humano doente e é muito difícil perceber o que pensa cada um, principalmente sobre os seus próprios medos.
Oferecer ajuda é a melhor maneira, muito mais do que qualquer coisa que possamos dizer.
Ser positivo sempre diante de um ser humano com câncer, mesmo que depois precisaremos de colo. Quem já passou por essa situação sabe, exatamente, o quanto as pessoas mais envolvidas, também, necessitam de amparo.
Entender que a revolta faz parte do processo de auto aceitação. Falar menos pode ser a melhor maneira, se não captarmos as palavras certas. Muitas coisas podem ser ofensivas, sem que percebamos.
Jamais tirar a esperança de vida. Isso seria fatal. A ciência não sabe de tudo, e a fé no que não vemos, nos cobre de possibilidades e nos proporciona um tempo maior e de melhor qualidade.
Se a “mulher do seu lenço” estiver cansada, tente deixá-la partir com paz. Ajude-a nesse processo, pois o amor verdadeiro liberta. Ninguém merece viver na enfermidade terrena e seria egoísmo tentar mantê-la aqui. Há vida plena em outro lugar e, infelizmente, não fomos preparados para isso.
Aceitar a morte jamais será fácil, mas pensar que o sofrimento acabou é o primeiro passo para o conforto.
Lembrar, sempre e todos dias, do tempo que foi proporcionado para crescimento de todos, assim as coisas ficam menos difíceis e se pode agradecer mais, muito mais, o tempo desde que tudo começou até o tempo que findou.
Não poderíamos imaginar que nossa mãe pudesse ser arrancada, de repente, de nós. Ela fez tudo que amava e o que faltou, nós faremos por ela. Dessa forma, podemos ser gratas eternamente.
Que a família, apesar de todas as adversidades, é o maior suporte para amenizar as perdas, porque gememos e choramos as mesmas dores.
Que as pessoas que fazem a diferença na nossa vida, estiveram conosco dentro daquele hospital, mesmo que algumas, distantes fisicamente.
Que o câncer pode levar alguém que deseja muito viver aqui então, quando ela se for, viveremos por ela sempre honrando o que ela tanto amou: a vida!



