
(por João Lemes) Queridos leitores e amigos. Este é um ensaio filosófico muito forte. Um artigo que também mistura conhecimentos sobre neurociência e outros campos. Talvez a leitura não seja aconselhável para muitas pessoas.
Quando perdi meu pai, eu tinha uns 4 anos. Com esse baque, precisei sair pelo mundo à procura da sobrevivência e de respostas. Ele era religioso, devoto, correto. Que Deus perverso iria levá-lo de nós, de seus oito filhos e de uma esposa amada? Lógico, minha mente infantil não poderia compreender. Então, pensei: deixa que no dia em que eu for “alguém”, terei a resposta.
Depois da perda de meu pai, tive que passar a “infância” com uma família religiosa, porém muito má. Ela era má. A minha tia. Meu tio (irmão de minha mãe) foi um santo homem. Apesar disso, sofri muito naquela casa, levando a culpa e sendo castigado pela morte de três filhos que o tal Deus havia tirado da minha tia-madrasta.
Assim, ao longo da vida, vi tanta maldade em nome de Deus, em nome dos costumes, da tradição, dos valores morais, que até quase cansei da vida. Depois de ser pai, por muitas vezes tentei reproduzir a tal tradição com os meus filhos. Essa austeridade que herdei. A tradição da família correta, de caráter e temente a Deus, a qual não admitia nada fora do trilho.
Após mergulhar no campo educacional, passando pela Filosofia e com estudos neurocientíficos, comecei a ver tudo mais claro. Ver que as pessoas, o mundo, não tinham culpa pelo meu passado. Vi que, ao seguir naquele pensar, cometeria os mesmos erros da minha tia. Uma submissa ao meu tio que descontava em mim as frustrações. O mundo está cheio de gente assim. Reprodutores de violência. Sofreu, bateu! Recebeu, devolveu! Aqui se faz, aqui se paga. Gostou?



