Os perigos da eletricidade

Por que o raio mata e como o choque elétrico também pode ser fatal?

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A descarga dos céus age de forma instantânea e brutal, enquanto a energia de uma tomada acaba matando pelo tempo de exposição e pelo efeito no coração e no cérebro.

Há poucos dias, a dona de casa Cleonice Maciel (42 anos) morreu em Itacurubi após sofrer um choque elétrico enquanto retirava roupas do varal, que possivelmente estava energizado por um fio encostado. Mesmo com a tentativa de socorro da Secretaria da Saúde, ela não resistiu.

Em Brasília, várias pessoas também foram hospitalizadas depois de serem atingidas por raios durante uma manifestação abaixo de chuva intensa, com alguns casos em estado grave. Situações diferentes, mas com a mesma origem: a descarga elétrica. Mas afinal, o que o raio e o choque elétrico causam no corpo humano?

O raio é uma descarga elétrica gigantesca…

…que ocorre entre nuvens ou entre a nuvem e o solo quando a diferença de carga fica grande demais e o ar não consegue mais segurar a energia. Ao atingir uma pessoa, a eletricidade atravessa o corpo em milissegundos, entrando e saindo pelo caminho mais fácil, como pele molhada, suor, sangue, nervos e vasos. Essa força extrema desorganiza de uma vez só o cérebro, o coração e a respiração. O coração pode parar ou entrar em arritmia grave, os músculos respiratórios travam e o sistema nervoso sofre um colapso imediato. Na maioria das mortes, não é a queimadura que mata, mas a parada cardíaca ou respiratória causada pelo impacto elétrico brutal, que pode ultrapassar 100 milhões de volts e dezenas de milhares de amperes.

Já o choque elétrico de uma tomada…

…é muito mais fraco que um raio, mas pode matar pelo mesmo princípio básico: bagunçar o sistema elétrico do corpo. A diferença é que a tomada tem menos tensão, porém mantém a corrente passando por mais tempo. Se a eletricidade atravessar o peito, pode causar fibrilação no coração, travar os músculos, impedir a respiração e levar à falta de oxigênio no cérebro em poucos minutos. Correntes acima de 50 miliampères já podem ser fatais, algo que uma tomada comum consegue atingir. Em resumo, o raio mata pela força extrema e instantânea; a tomada mata pelo tempo de exposição e pelo caminho da corrente no corpo. Em ambos os casos, o que leva à morte é o colapso elétrico do coração, do cérebro e da respiração.

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