
O ex-ministro da Saúde, o então tenente-coronel Eduardo Pazuello, comandava o quartel do depósito de munições do Exército, em Paracambi (Rio), quando viu dois soldados passarem em uma carroça. Julgou que estavam velozes demais, que maltratavam o cavalo e quis lhes dar uma lição. Mandou parar, desatrelar o animal, e determinou que o recruta Carlos Vítor de Souza Chagas, um jovem negro e evangélico de 19 anos, substituísse o cavalo. O soldado teve de puxar a carroça com o outro soldado em cima, enquanto o quartel assistia a tudo dando gargalhadas.
O que diz o soldado?
O antigo soldado diz que lembra de tudo. “Pelo meu tio eu botava para frente (na Justiça), mas eu dei mais ouvido ao meu pai, que é evangélico, por medo de represália. Isso aí agora está nas mãos de Deus, Ele é o Senhor de todas as coisas”, disse ele ao jornal Estado de S Paulo.
O jornal Estadão encontrou Chagas ainda com medo. Não queria falar por telefone, mas tinha consciência de que a situação que colocava Pazuello em evidência também o levaria a ser procurado por jornalistas. “É sobre o general Pazuello?”, questionou Chagas ao atender ao telefonema.
Esse é o resumo de uma história que faz parte da carreira militar do homem que comandou a saúde nacional por vários meses e segue no centro de uma das tantas crises do governo Bolsonaro.
No que deu essa história?
Na época o argumento usado por Pazuello é que ele tratava os subordinados com “seriedade e dignidade”. A defesa usou depoimentos de outros militares para atestar que ele não quisera impor maus-tratos ao recruta. Tudo se resolveu assim. Pazuello não quis humilhar o soldado; só orientá-lo “para a preservação da boa saúde dos cavalos”.




É se cada um que fizer maus tratos contra os animais fossem punidos pensavam duas vezes antes de ter esse tipo de conduta.