Brasília, DF – O que era suspeita virou coisa oficial do Fisco. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado revelam que o Banco Master despejou exatos R$ 80.223.653,84 nas contas do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que pertence a Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. O “pix” não foi único: entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, o banco declarou 22 pagamentos mensais fixos de mais de R$ 3,6 milhões cada. A dinheirama veio à tona após a comissão notar que esses dados específicos tinham “sumido” da primeira remessa enviada pelo Fisco ao Congresso.
Consultoria de luxo sob sigilo
O escritório Barci de Moraes não confirmou os valores, alegando que as informações são fruto de “vazamento ilícito” e protegidas por sigilo fiscal. Em nota, a banca defendeu que o contrato envolveu uma “ampla consultoria jurídica” realizada por 15 advogados, com 79 reuniões presenciais na sede do banco e a coordenação de outros três escritórios especializados. Enquanto o Master recolhia quase R$ 5 milhões em impostos retidos na fonte sobre esses honorários, o mundo político e jurídico passou a questionar o peso e a natureza de um serviço que custa o equivalente a uma mega-sena acumulada.
CPI com os dias contados
Apesar da “bomba” fiscal, a investigação no Senado está prestes a virar pizza. O relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), confirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar os trabalhos da comissão, que encerra as atividades na próxima terça-feira (14). A justificativa oficial é evitar “problemas em ano eleitoral”, o que, na prática, significa engavetar as descobertas antes que elas respinguem em gabinetes poderosos. O relatório final será apresentado no último dia, mas o destino dos R$ 80 milhões deve continuar alimentando os bastidores de Brasília por muito tempo.
Fonte: G1 / Folha de S. Paulo.
E você? Acha que um contrato de R$ 80 milhões entre um banco e a esposa de um ministro é apenas “mercado de advocacia” ou o valor astronômico justifica uma investigação mais profunda? O sonho de uma justiça imparcial não nasce apenas de grandes sentenças, mas da transparência total sobre quem paga as contas de quem decide os rumos do país.
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