Nacional – (João Lemes) Esse tal de gás do povo, já aprovado na Câmara, nasce com um problema grave: é mais marketing do que política pública. Ninguém quer peitar os mais pobres, claro. Sempre rende aplauso. Tem vantagem, sim. Ajuda a mulher que sofreu por violência, ajuda quem está no fundo do poço. Mas também escancara um vício antigo do Brasil: distribuir benefício sem discutir controle, sem porta de saída, sem cobrar resultado.
Ainda vale a pena trabalhar?
Já existe Bolsa Família, auxílio disso, auxílio daquilo. A sociedade discute, e com razão, até onde isso vai. Tem gente que faz conta e conclui que não vale a pena trabalhar. Três, quatro filhos, benefício pingando todo mês, um salário quase garantido. Vai levando. Não é todo mundo, mas acontece. Fingir que não é verdade é tapar o sol com a peneira. Assistência sem critério vira dependência.
Só faltou a foto do Lula no botijão
E o nome não ajuda. Gás do povo é rótulo eleitoreiro. Só faltou a foto do Lula no botijão. Lembra, e muito, a canetada do Bolsonaro em 2022, quando tirou ICMS dos combustíveis em ano eleitoral e depois deixou a conta para os estados. Demagogia também. A diferença é que agora o discurso é mais bonito, mas a essência é a mesma. Fica a pergunta que não quer calar: é gás do povo ou é voto do povo?
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