Santiago – RS – (Região Central – Araponga) – Confiança é coisa bonita, mas conferir o potreiro também ajuda. Pelo que se conta, esse capataz era muito bom nos cálculos. Contava ligeirinho, fechava a conta e o patrão sempre acreditando. Se a suspeita se confirmar, era a legítima raposa cuidando do galinheiro. Só que essa tinha ampliado o negócio: em vez de carregar galinha, lidava com boi.
A investigação envolve um possível desvio de 2.388 cabeças de gado, com prejuízo estimado superior a 11 milhões. É muita criação para desaparecer no meio da prosa. Numa conta dessas, o sujeito começa contando nos dedos e termina precisando de mapa para localizar o rebanho.
O curioso é a suspeita de que, enquanto o gado diminuía de um lado, o patrimônio aumentava de outro. Se comprovado, o capataz entendia mesmo de matemática: subtraía no campo do patrão e somava no próprio patrimônio. O dono confiando na tabuada, e a conta tomando outro rumo.
Será o maior roubo de gado da história do RS, quem sabe do Brasil? O tamanho da suspeita chama atenção, mas ainda depende do desfecho da investigação. Por enquanto, já tem boi suficiente nessa história para deixar muito contador de orelha em pé.
Dizem que o olho do dono engorda o gado. Pois fica a atualização do ditado: o olho do dono também precisa conferir quem está fazendo a contagem. Porque, quando a raposa fecha o balanço sozinha, até o galinheiro pode aparecer devendo galinha. (Redação, Araponga.)

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