Araponga | O corte na carne não deu certo em Manoel Viana

O discurso era bonito, parecia ousado, um “corte na carne”. Mas, quando chegou na mesa dos vereadores, a tesoura sumiu.

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Manoel Viana – RS – O prefeito Flávio Busnelo Careca (PDT) tentou fazer história ao enviar para a Câmara um projeto que reduziria em 20% os valores das diárias de viagem intermunicipais e para a capital.

O corte seria em todas as diárias pagas a todos os agentes públicos do município — incluindo o próprio prefeito, vice, secretários e demais servidores que recebem o benefício.

Dos nove, apenas Solange Melo (PDT) teve coragem de votar a favor do corte, enquanto Ricardinho (PDT) preferiu se esconder atrás de uma abstenção. O presidente Luner Martinez (MDB), que nem vota, já adiantou que se fosse preciso, também estaria no lado do contra.

Projeto de redução das diárias fracassa em Manoel Viana

O caso é curioso porque até José Renz (PP), o vereador que mais se coloca como guardião da moralidade com o dinheiro público, votou contra.

Ele mesmo, que meses atrás havia apontado as diárias como um abuso (no caso da Câmara) afirmando que quem vai cinco dias para Porto Alegre recebe R$ 4.700, mas gasta no máximo R$ 1.200. Na hora de decidir, Renz virou as costas para o que pregava e se alinhou à maioria. O que antes era um discurso inflamado contra o exagero, virou silêncio conveniente quando o corte atingiu o bolso dos próprios vereadores.

É importante lembrar que as diárias em Manoel Viana funcionam como complemento de salário. Basta ver os números apresentados pelo próprio presidente em abril: R$ 23 mil só em gastos da presidência, seguido de MDB e PP com cifras igualmente gordas. Tudo “dentro da lei”, como gostam de repetir, mas nada dentro da moralidade que pregam em palanque. Quando o prefeito tentou mexer nesse vespeiro, ouviu o barulho das foices se batendo, e a economia prometida evaporou.

No fim, ficou a imagem de Solange Melo, a única que entendeu que o salário já é suficiente e que diária não pode virar prêmio extra. Do outro lado, a turma que prega economia e moralidade, mas, quando a tesoura se aproxima, corre a blindar os próprios bolsos. O corte na carne virou piada, e a carne segue bem servida no prato dos vereadores. O povo, como sempre, fica só com os ossos.

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