
Cientistas estão correndo para desenvolver uma única vacina que proteja contra as diversas variantes do coronavírus que têm potencial para desencadear uma nova pandemia. Toda vez que uma nova variante surge, os fabricantes de vacinas reavaliam suas “receitas” para ver se são eficazes contra um vírus em evolução, como a variante ômicron, que se espalhou rapidamente pelo mundo.
Desde o início da pandemia em 2019, o coronavírus sofreu várias mutações. Como a maioria das vacinas foi projetada para reconhecer a proteína de espícula original do Sars-CoV-2, ou pelo menos partes dela, as variantes mais mutantes escapam com mais facilidade.
No mês passado, os fabricantes de vacinas conversaram sobre ajustar a fórmula para ter uma vacina específica contra a ômicron à mão, se necessário. “No entanto, a Ômicron não será a última variante”, afirma Stephen Zeichner, especialista em doenças infecciosas do Centro Médico da Universidade da Virgínia. “Está bem claro que o vírus continua evoluindo e, no futuro, existe a necessidade de uma vacina universal contra a covid-19 ou mesmo uma vacina universal contra os coronavírus”.
Os primeiros testes em modelos animais estão mostrando resultados promissores. “O melhor de ter essas vacinas é que elas poderão lidar com variantes potencialmente novas [Sars-CoV-2] e com os próximos vírus horríveis provenientes de spillover (evento de transbordamento) que surgirão no futuro”, explica a bióloga Pamela Björkman, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que está desenvolvendo uma vacina universal para alguns vírus do tipo Sars.
Bloqueando novas e futuras variantes
A Ômicron, a versão mais recente do vírus, tem quase 50 mutações genéticas em comparação com a cepa original. Mais de 30 dessas mutações estão nas espículas em forma de taco que se projetam da superfície do vírus e que facilitam sua entrada nas células hospedeiras. A espícula também é a região do vírus que as vacinas contra a covid têm como alvo para prevenir doenças graves.
Uma vacina, diversos coronavírus
O objetivo dessas vacinas é gerar uma ampla resposta imunológica contra diversos coronavírus e suas variantes.
A iniciativa mais avançada até o momento é uma vacina desenvolvida por pesquisadores do Walter Reed Army Institute of Research, que foi testada em humanos como parte de um ensaio de fase 1. A vacina, que empresta a tecnologia desenvolvida para fabricar vacinas universais contra a gripe, envolve uma nanopartícula em forma de bola de futebol com 24 faces registradas com diversas cópias da proteína de espícula original do Sars-CoV-2. (F: National Geographic: Brasil)



