Nacional – Depois de construir uma carreira no exterior, parte dos profissionais que emigraram ainda jovens está refazendo os planos. Aluguéis mais caros, dificuldades para avançar no trabalho e a vontade de acompanhar os pais na velhice aparecem entre os motivos do retorno, segundo reportagem do Estadão.
Carlos Eduardo Altona, cofundador da consultoria de recrutamento executivo Exec, percebe maior interesse pela volta nas conversas com brasileiros que trabalham fora. Ele estima um crescimento de 30% a 50% nessa procura nos últimos 12 a 18 meses, em comparação com anos anteriores. A avaliação, porém, é uma percepção do recrutador, não um levantamento que dimensione o retorno ao Brasil.
A conta de morar fora
A jornalista Patrícia Matos mudou-se para os Estados Unidos em 1999 e decidiu voltar após anos de carreira. Em Manhattan, pagava 2,9 mil dólares mensais por um estúdio. Um apartamento igual no mesmo prédio, depois de reformado, passou a custar 4,4 mil dólares. Já o profissional de marketing Matheus Marteli conta que o aluguel em Londres dobrou após a pandemia. Para ele, a perda de poder de compra deixou de compensar a distância da família.
O retorno também envolve dificuldades. A assistente social e massoterapeuta Raquel Heloisa Cassado tentou se estabelecer no Brasil, mas voltou à Austrália após não conseguir trabalho. Em 2023, decidiu retornar definitivamente. Hoje vive em Ubatuba, no litoral paulista, e afirma que, embora ganhe menos, valoriza a proximidade dos familiares, dos amigos e o sentimento de pertencimento.
O receio da deportação
Entre brasileiros em situação migratória irregular nos Estados Unidos, o medo de perder o que construíram também incentiva a volta. Eliane Garcez, presidente da ONG Mulheres do Brasil NY, afirma que acompanha casos de quem prefere retornar com as economias a correr o risco de uma deportação. Os relatos mostram decisões motivadas por diferentes razões, sem um dado consolidado que permita medir a dimensão desse movimento.
(Redação, João Lemes. Fonte: Estadão)
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